sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 17

No final, tudo valeu a pena
Vesti a roupa e sai da sala do hospital. Agora eu já me sentia melhor com relação a minha situação física. Caminhei pelos corredores do hospital, não havia nada, nem ninguém, o prédio estava totalmente abandonado.
Quando cheguei a entrada principal a luz do sol cegou meus olhos, mas o que vi depois fui muito mais incrível do que ver o sol.
 O paredão de concreto havia caído. Nada mais separava nós dos zumbis, se é que ainda existiam zumbis.
— Bonito não é? — A voz do Coronel soou do meu lado. — Você salvou o mundo.
— Por quanto tempo eu dormi?! — Perguntei.
— 2 meses, olha, você chegou aqui quase morta. Você deu trabalho.
— Onde estão meus pais? E cadê todo mundo?
— Eles foram reconstruir a vida deles, foram começar a viver de verdade. Quanto a seus pais, eu os convenci que te deixassem aqui sozinha comigo, pois eu me recusei a tirá-la daqui sem que quando você acordar, veja o que conseguiu fazer. Você vai vê-los em breve.
— Hã, então ta. Isso é lindo. ­— Eu queria soar mais animada do que estava.
— Ellen, tudo isso valeu a pena?
Eu o encarei por um instante, nunca tive tempo para pensar no assunto.
— Eu não tive muita escolha não é mesmo? — Respondi.
Eu não queria causar culpa no Coronel, depois de tudo que ele teve que passar, não é fácil para ninguém decidir o que fazer, sendo que o que está em jogo é a vida de seres humanos, mas não consegui pensar em outra resposta.
— Olhe para mim, Coronel. — Ergui meus olhos para ele. — Perdi a pessoa que mais se importava comigo, amigos que conheci a pouco tempo e creio que também perdi minha sanidade. Por outro lado salvei o mundo, não me pergunte se valeu à pena, pois você sabe que não sei a resposta.
Ele concordou de cabeça baixa, aquela era a conversa mais difícil e dolorosa que já tive com alguém.
— Mas não é isso que eu queria te mostrar...
— Então o que é?
— Lembra do que aconteceu no laboratório, quando ‘aquele’ zumbi te atacou.
Meu estomago se revirou, comecei a sentir vertigem. Lembrar do momento exato era tudo de que eu queria ser poupada de lembrar.
— O que é que tem? — Suspirei por fim.
— Quando você enfiou a faca na cabeça ‘daquele’ zumbi você o deixou inconsciente, não sabemos por que, mas a facada afetou apenas a raiz do vírus, não o cérebro, apenas uma pequena parte foi danificada...
— Aonde quer chegar? — Perguntei confusa.
— Escute, o hospedeiro permaneceu infectado, mas não morto totalmente. Você trouxe a cura que salva os infectados, e agora eu pergunto, não sabe aonde quero chegar? — Ele me observava com cuidado.
— Ele está vivo?
— Por que não pergunta a ele. — Coronel falou por fim apontando para trás.
 Quando eu olhei para trás lá estava ele, em pé, diante mim, radiante, uma expressão vazia. Estava pálido, cheio de curativos em todo o corpo e na testa, uma enorme faixa cobria o local de onde minha faca entrou...
 Eu não estava conseguindo absorver a informação, apenas fiquei paralisada o olhando, ele não manifestou muito entusiasmo.
Quando depois de minutos o encarando corri em sal direção e, ao abraçá-lo, pude sentir seu coração bater, pude sentir o calor de sua pele, aquele abraço me mostrou que eu também estava viva...
Greyson não respondeu ao abraço eu o soltei e comecei a observá-lo.
— Greyson, você ta vivo! Eu... Eu... Grey, por que esta me olhando assim?
— Ah, eu... eu não... ah.. — Greyson se enrolou com as palavras tentando buscar na mente quem eu era.
— Hã, Ellen... — Coronel pousou sua mão em meu ombro. — Parte da memória dele foi danificada, se ele não se lembrar de você... Só entenda que é inevitável...
Não, aquilo não poderia estar acontecendo. Tudo estava tão incrível, ele estava diante mim, vivo, se ele não se lembrasse de mim... Eu... Eu não sei o que aconteceria...
Senti meu estômago se revirar novamente, meus olhos começaram a se encher de lágrimas, e por fim, como um sussurro, perguntei a ele:
— Grey... Se lembra de mim?
— Ellen?
— Sim! Grey sou eu! Você se lembra de mim?! — Perguntei em gritos.
— Eu... Claro... Ellen eu lembro! Ah... A gente.. Er... Saiu em uma busca e.... E apareceu um zumbi e.... hã, outros zumbis, ai quando chegamos perto do que queríamos um zumbi me atacou, depois eu só me lembro que comecei a sentir uma dor absurda e depois eu acordei aqui em uma maca...
As lágrimas se tornaram lágrimas de felicidade, ele se lembrava de mim, ele conseguiu e dessa vez, me abraçou com toda a sua força...
Vi que Coronel Jordan se afastava para nos deixar sozinhos.
— Nunca mais me assuste assim idiota. — Falei depois de um longo tempo olhando em seus olhos.
— Por quê? Ficou preocupada comigo? — Ele perguntou sorrindo.
— Engraçadinho. Você quase morreu! Você estava morto.
— Eu não pude morrer, eu tinha algo a te dizer que não havia tempo para ser dito, eu me lembro, quando estávamos escondidos atrás do prédio abandonado, esperando um momento seguro para avançar... — Ele disse colocando meu cabelo atrás da orelha.
— E posso saber o que?
Ele fez um silêncio misterioso. Olhou para o horizonte e depois se concentrou em meus olhos. Por fim disse:
— Eu... Eu te amo.
...







Capítulo 16

Tenho que aceitar que acabou... Ou não
Acordei desorientada. Minha visão estava embaçada, só via borrões em um ambiente claro. Quando me dei conta estava em uma sala de hospital, deitada em uma cama. Ao meu lado flores mortas e secas. Olhei em volta e levei um susto com a aparição repentina do Coronel Jordan sentado em uma cadeira ao meu lado.
— Olá. — Ele me disse calmamente.
— Onde estou? Perguntei.
— Você está bem agora. Você desmaiou assim que chegou de volta.
— Minha cabeça ta doendo...
— Como eu disse, você esta bem agora.
Coronel parecia calmo, se eu não o conhecesse, diria que ele estava até um pouco feliz.
— Sei que você acabou de acordar, sei que você passou coisas horríveis nos últimos dias e sei que você está cogitando em enfiar uma faca no meu pescoço, mas preciso fazer algumas perguntas...
Minha cabeça estava doendo, eu estava cansada, mas assenti com a cabeça.
— Ah... Por onde começar... — Coronel iniciou.
— Comece pelo inicio. — Sugeri.
— Está bem. — Ele concordou. — Que tal você me contar de tudo que aconteceu a partir do momento em que você saiu da proteção do paredão?
Comecei a falar. Disse tudo. Disse que um zumbi nos atacou, falei que perdi a mochila de suprimentos, disse que salvei Joe do abismo, contei que enfrentamos um bando de rinocerontes zumbis, falei o como Tom sofria com o sol, falei que Joe me ensinou a atirar, contei que Brendan não resistiu a comida infectada e acabou morrendo e contei também que Marth voltou com Brendan de volta numa retomada sem sucesso.
 Coronel mantinha seus olhos vidrados, como se eu fosse um avô que conta histórias fascinantes para seus netos.
— E como exatamente Greyson se tornou um deles? — Coronel tocou no assunto que eu havia me esquecido.
— A mãe dele... Hã, um zumbi o feriu.
Abaixei meu rosto, as cenas vinham a minha cabeça a mil, a morte do meu melhor amigo, tudo, a agonia entalou na minha garganta, senti meu corpo tremer, me esforcei para não derrubar nenhuma lágrima.
— E...  — Coronel se esforçou para dizer, como se tivesse medo da resposta. — Joe? Onde está?
— POR QUE SE IMPORTA?! — Explodi em gritos. — Você os matou!! Você matou todos nós! Eu estou morta agora! E não tem como recuperar isso! Você matou jovens cheios de sonhos, você tirou a vida de garotos inocentes, Greyson não queria ir! Eu não queria ir! Agora estamos todos mortos, você o tirou de mim! Você tirou de mim tudo que eu tinha de importante na minha vida! Você não tinha esse direito!! Agora eu te pergunto: Por quê? Por que quer saber de Joe?!
— Joe era meu filho!!
Eu não podia acreditar. Vi toda uma vida de arrependimento descendo em forma de lágrimas pelos olhos do Coronel.
— Seu filho? — Reduzi minha voz. — Ele era seu filho e você teve coragem de mandá-lo a uma missão suicida?!
— ELE queria isso! Ele queria sair, queria atirar em zumbis, ele queria essa missão e o pior de tudo, ele estava qualificado para isso! Eu o criei como uma máquina de matar, sem sentimentos, eu não poderia mesmo esperar outra coisa dele. Ellen! Você na vê? Greyson estava qualificado, assim como Tom, Marth, Brendan, Jon e você também estavam! Eu não mandaria para fora alguém que não soubesse o que fazer, eu tinha em mente o quanto vocês eram capazes!
— Não! Você me mandou lá somente por que achava que Greyson concluiria sua missão e voltaria conosco vivos para me manter viva!
— Mas eu sempre soube que você conseguiria. Sempre achei que meu filho manteria todos vocês a salvo...
A essa altura as lágrimas do Coronel Jordan desciam descontroladamente, seu rosto estava vermelho, senti pena.
— Coronel... Se ajudar, seu filho foi quem me manteve viva, ele me salvou inúmeras vezes, e posso afirmar com certeza, que o senhor criou o melhor soldado de todos...
 A sala ficou em silêncio por alguns minutos. Eu não sabia o que pensar ou dizer, então resolvi apenas esvaziar minha mente e me manter calada.
—Tem roupas para você ali em cima da mesinha de cabeceira, vista-as e saia lá fora. Tenho uma surpresa para você... — Coronel falou saindo da sala.

Eu apenas segui os comandos, mas seja o que for que estivesse lá fora, não seria a mesma coisa com Greyson do lado...

Capitulo 15

Termino o que havia começado
Eu tinha que sair dali, me virei e andei em direção ao velho, revirei seus bolsos e encontrei uma chave, uma chave de carro, me aproximei da janela da frente e por uma fresta apertei o botão do alarme na chave, logo a frente um carro vermelho piscou luzes, eu estava salva, eu só precisava chegar lá....
 Eu estava prestes a arrombar a porta da frente quando um arrepio passou pela minha espinha. Greyson. Eu não poderia deixá-lo ali, eu tinha que levá-lo de volta.
 Coloquei as chaves no bolso, com dificuldade peguei o corpo do Greyson e coloquei em minhas costas, não aguentei, meus joelhos cederam e eu caí no chão. Não foi seu peso que eu não suportei, foi a dor, a ideia de que eu nunca mais o veria, que eu nunca mais o veria sorrir, que eu o carregava sem vida em minhas costas. Mas era o mínimo que eu poderia fazer, me levantei e chutei a porta, lá fora o que eu vi foi ainda mais assustador...
 100, Talvez 200 lá fora, famintos, me olhando, me observando, me encarando...
 Zumbis não enxergam, sentem o cheiro, e no momento, com Greyson na minha costa, eles não reconheceram o meu, eles só sentiam o cheiro do Greyson e isso definitivamente salvou minha vida.
 Eu caminhei entre eles enquanto alguns entravam no laboratório em busca de comida, era como se eu não estivesse ali, era como se eu fosse um deles. Peguei a chave do bolso e abri a porta do banco de passageiro e coloquei Greyson lá. Me sentei do outro lado e dei partida no carro, eu não sabia dirigir muito bem, mas lembro que uma vez, eu e Greyson ‘pegamos emprestado’ o carro do pai dele e ele me ensinou alguns fundamentos básicos, a lembrança escorreu pelos meus olhos.

  Dirigi de volta, parecia menos cansativo de carro. Não ousei olhar para o banco ao lado. Eu estava há três dias sem comer, no colégio do paredão, nós éramos acostumados com isso, mas agora, comecei a sentir dor de cabeça, e o sol da manhã constantemente em meu rosto, não ajudou.
 No horizonte, vi algo que me fez parar o carro, desci correndo e me aproximei. Tinha algo no chão, e quando pude reconhecer o que era dei um pula para trás, só conseguir dizer:
— Eles não conseguiram...
Marth e Brendan caídos no chão, provavelmente, Marth foi morto por zumbis, eles não conseguiram retornar...
 Eu não podia fazer nada, voltei para o carro e segui o caminho.
 De longe vi o paredão se aproximando, um ódio começou a tomar conta de mim, atirei a minha faca para fora do vidro, ou eu faria algo por impulso com ela que me arrependeria depois, parei o carro nos portões e logo guardas armado apontaram suas armas.
— Tem algum infectado!? — Um deles gritou.
— Abaixe essa merda seu filho da mãe, você sabe quem eu sou?! — Berrei ao sair do carro.
Eles se entreolharam assustados.
— Quem é aquele no carro?! Se quiser entrar vai ter que se livrar dele! — Outro gritou.
— Ele está morto seus miseráveis, abram logo a porcaria dos portões!! — Gritei perdendo a paciência.
Eles se entreolharam novamente, começaram a cochichar entre si, indecisos. Tirei da mochila o frasco com o líquido verde. Eles reconheceram e imediatamente abriram os portões. Voltei ao carro e entrei do lugar que eu rezava nunca ter saído.
 Logo na entrada vi Coronel Jordan, tinha uma expressão triste, cansada, aflita, quando ele me viu, não conseguiu conter um sorriso. O mesmo correu ao meu encontro.
— Espero que esteja satisfeito. — Entreguei a ele o frasco.
— Onde estão os outros?
— Os outros? — Forcei uma risada. — Estão mortos!
Olhei ao redor, as pessoas me encaravam.
— Todos eles estão mortos!! — Gritei para todos ali presentes ouvirem. — Espero que estejam felizes seus nojentos!! Sacrifiquei minha vida, matei meu amigo, a mãe dele e vi um velho morrer e outros amigos morrerem! Viva!! Vocês estão livres!! Comemorem!

Dei as costas ao Coronel e desabei desacordada no chão.

Capitulo 14

Recebo uma visita um pouco desagradável
Para quem me conhece, é de costume me sentir confusa, mas aquilo que eu acabara de testemunhar é muito para eu raciocinar, então, vamos ver se eu entendi, Eu estava à beira da morte, com zumbis prestes a comer meu cérebro quando surge um velho que me salva, Ok. Depois esse velho começa dizer que é o Wilbert Smith que descobriu como parar de envelhecer, ta. Em seguida, magicamente, esse mesmo senhor sabe mais do que aconteceu comigo até agora, do que eu mesma. Ai depois ele me mostra onde guardou o antídoto e morre na minha frente. Isso realmente não faz sentido. Talvez a fome, a sede, o sono tenham-me feito imaginar tudo aquilo.
 Mas meus pensamentos foram interrompidos, monstros lá fora começaram a bater na porta com mais força, rugiam, estavam famintos. Eu cheguei até aqui, não vou desistir agora, eu tenho que terminar isso.
´´ Vamos Ellen, se concentre. ´´ Falei comigo mesma. ´´ O que Joe faria?´´
Corri até a mesa, ignorando o fato de que havia um velho morto um uma cama ao lado, abri a caixa branca, dentro tinha um frasco de 15 centímetros, coloquei com cuidado na mochila. Antes mesmo que eu pudesse pensar no que fazer,  a porta principal foi arrombada. Um deles apenas entrou, o mesmo entrou e fechou a porta novamente com força. Por um momento me senti aliviada, era apenas um, eu já fiz isso antes, poderia muito bem fazer de novo, uma ou duas facadas na cabeça, nada a mais que isso. A criatura me olhava como uma deliciosa refeição. Coloquei os dedos sobre a faca no meu bolso (a qual eu só me lembrei que tinha a alguns minutos atrás) mas o que eu vi me fez hesitar, fiquei perplexa, boquiaberta e de repente senti um nó se formar em meu estômago.
— Grey?
Era ele. Sim, realmente era ele. Meus joelhos ameaçaram ceder, mas eu estava paralisada. Tinha os mesmos traços, sua pele estava esverdeada, seus olhos estavam castanhos com leves tons de verde, ele suava, não tinha mais expressões, mas era o mesmo.
— Greyson, por favor, saia daqui... — Implorei deixando algumas lágrimas cairem.
Não sei por que tentei, ele não me deu ouvidos e avançou em minha direção. Senti raiva, tinha um velho morto ali do lado, totalmente indefeso e o maldito investiu justo em minha direção!
Me abaixei sob uma mesa, mas a Greyson fez a mesa voar, se chocando com a parede, corri para o outro canto da sala, e encostei da parede, Greyson corria por cima das mesas, derrubando tudo pela frente. Ele mirou um murro em meu rosto mas eu me abaixei, e ele esmurrou a parede.
— Pare, por favor. — Supliquei caindo de joelhos, eu estava esgotada.
Ele ignorando me pegou pelo pescoço e me ergueu até meus pés não tocarem mais o chão. Olhei no fundo de seus olhos, procurando algo que me fizesse lembrar de quem ele era, mas não encontrei. Não conseguia respirar, minha vista foi se escurecendo aos poucos, eu não tinha escola, tirei uma faca do bolso e a cravei na cabeça daquela criatura.
Ele me largou e caiu de costas. Senti meu mundo desabar, eu o matei, matei a única coisa que se importava realmente comigo, matei meu melhor amigo, matei aquele que morreria por mim....
— Você não me deu escolha... — Sussurrei em lágrimas, ajoelhada ao lado do corpo. — VOCÊ NÃO ME DEU ESCOLHA!
Minhas lágrimas tomaram meu rosto, senti um nó se formando no meu estomago, creio que se eu tivesse comigo alguma coisa, eu teria vomitado. A tentação de pegar aquela mesma faca e cravá-la em mim mesma estava me tomando, mas eu não poderia fazer isso. A verdade é que eu não tinha mais motivo para continuar, ele estava morto, Greyson Chance estava morto.
 — Me perdoe... — Sussurrei encostando minha mão em seu rosto frio. — Meu perdoe, Grey... Eu... Eu te amo... Para sempre...


Capitulo 13

Converso com um velho louco
 Bem, em todos os dias que eu estive fora, fiquei imaginando como nós encontraríamos o laboratório, como entraríamos e como sairíamos vitoriosos. Eu imaginava portas arrombadas e quando entrássemos, nós nos assustaríamos com a poeira, com os animais mortos, com os móveis quebrados, com os recipientes químicos em cacos e líquidos tóxicos espalhados por todo o chão... Não foi bem assim.
Fui puxada para dentro com tanta força que cai no chão, ao me levantar escutei a porta ser trancada novamente e lá fora, zumbis arranhando a porta feio loucos famintos (que eram). Virei-me para a porta e apontei minha arma, seja lá o que foi que salvou minha vida, não tinha boas intenções.
 Surpreendi-me, um velho, aparentava 60 anos, encostado na porta ofegante, tinha cabelos grisalhos, rugas enormes e olheiras escuras em baixo nos olhos, um pele extremamente pálida — A pele fez me lembrar de Tom, o que me deixou triste — cabelos cinzas, usava óculos redondos, luvas plásticas e um avental branco um tanto quanto sujo. Sua camisa levava um nome estampado do lado direito que pude ler com clareza, ´´Wilbert Smith´´.
— Estava a sua espera. — Ofegou o velho com um meio sorriso.
— Quem é você?! — Perguntei sem tirar o velho da pontaria da arma.
— Então, alguém finalmente conseguiu. — Ele suspirou, ignorando minha pergunta. — Você não tem tempo a perder.
Dizendo isso ele desencostou da porta e percorreu a sala do laboratório e se sentou em uma mesa, cheia de livros. Só então parei para observar o local, era incrível tinha uma estante enorme com livros tão grossos quanto os livros que nos mandavam decorar na academia preparatória do paredão, velas por toda parte clareavam o ambiente, varia mesas com vidros, recipientes, cheios de líquidos coloridos, alguns soltava fumaça, outros borbulhavam, outros emitiam claridade, logo ao lado, uma cama, ao lado da mesma uma estante de vidro cheio de caixinhas de vidro contendo pílulas que levavam etiquetas ‘Café da manha’, ‘almoço’ e ‘jantar’. Me aproximei de uma mesa e fiquei completamente perplexa, havia sobre ela papeis, anúncios, revistas, panfletos de 60 ou 70 anos atrás, quando a peste zumbi se espalhava, anunciavam que deveríamos fugir, se esconder, outros anunciavam que o fim dos dias chegou entre outros do gênero.
— Aterrorizador não é? — O velho disse, fazendo minha atenção voltar a ele.  — Você se imagina nessa época de desespero? Você se imagina nessa situação? Era assim: Ou você é rico ou você vira zumbi.
Fique alguns segundos pensando no que ele disse.
— Quem é você? — Perguntei novamente. — Responda, ou...
— Ou o que? — Ele interrompeu calmamente. — Vai atirar em mim com uma metralhadora sem balas?
Foi quando me lembrei que realmente estava sem munição. Percebi que o velho não me faria mal, mas era muito perturbador, eu não estava entendendo nada, o que ele fazia lá? Por que me ajudou? Por que estava usando uma camisa com o nome do inventor do vírus zumbi? Desabei em uma cadeira e me dei conta de como eu estava cansada. Afundei meu rosto em minhas mãos, apoiando o cotovelo nos joelhos.
— Escute minha querida, não quero prejudicá-la, não entre em pânico. Agora tudo vai ficar bem. — As palavras daquele senhor, me fizeram me sentir um pouco melhor. —  Eu sei quem você é, sei que perdeu pessoas muito importantes há pouco tempo e sei que você pode nunca mais reencontrar o garoto que você mais gosta...
— Como você...
— Não faça perguntas que você sabe que eu não irei responder. — O velho interrompeu, levantando-se. — Meu nome é Wilbert Smith.
— Está mentindo.
— Não estou. Fui eu. Eu inventei o vírus. Eu matei seus amigos. O meu vírus infectou seu amigo. O meu vírus fez você matar a mãe do garoto que você mais ama. Fui eu que fiz você e toda a raça humana ainda existente ficar presos em um muro de pedra como animais selvagens! — Wilbert gritou.
— Não!! — Gritei de volta. — Isso é impossível!
— Eu inventei um vírus que causa uma mutação deprimente no ser humano, eu poderia muito bem inventar cápsulas de alimento e poderia muito bem inventar comprimidos que substitua a água, coisas essências para a sobrevivência, assim como eu também poderia criar a ‘fonte da juventude’ ou como costumo dizer o remédio da imortalidade.
— O senhor está louco. — Concluí. — Mesmo que seja capaz de fazer tudo isso, eu perguntaria, ‘Por quê?’
— Esta vendo aquela caixa branca? — ele apontou em cima de uma mesa no canto da sala. — Dentro dela tem um vidro, com um líquido verde, é a cura, eu sobrevivi até agora, só para que alguém viesse aqui, pegá-la e salvar o mundo.
—Isso não faz sentido. — Falei
— Na verdade faz todo sentido. Não foi minha intenção começar o apocalipse.
— E por que simplesmente não nos deu a cura logo.
— Já tentou sair daqui? Você viu o que tem lá fora? E além de tudo sou um velho...
— E como você acha que eu vou sair daqui!? — Gritei me levantando da cadeira.
— Você veio, pode muito bem sair.
A sala ficou em silêncio. O velho deitou em sua cama, com uma expressão cansada, triste e sombria.
— Sabe garota, não sou tão inteligente assim. — Ele falou se acomodando na cama. — Eu não parei de envelhecer, apenas retardei o processo. Há anos, continuar vivo é muito doloroso.
Por um momento senti pena.
— Eu não poderia partir deixando o mundo assim. — Continuou. — Eu não poderia morrer, deixando para trás toda a destruição que causei. E agora que a cura está salva, posso partir em paz.
— O que? Não! O senhor não pode! Eu não vou conseguir! Eu vou falhar.
— Você não vai falhar.
Me lembrei do Greyson, baixei meus olhos e vi que eu deveria fazer aquilo, eu tina que conseguir, eu deveria levar a cura de volta e salvar Greyson, senti o peso do mundo em minhas costas.
— No final, você executará o papel de herói e o garoto será o objeto que te manterá viva. As coisas mudaram de lugar... — O velho deu um último suspiro e fechou os olhos.
Segurei seu pulso e não senti mais a pulsação, ele se fora.



Capitulo 12

Greyson conhece sua mãe
Minhas pernas tremeram. As mãos começavam a suar sobre o armamento. Ao lado eu via Tom mais pálido do que nunca visto antes, e Greyson me olhando como se estivesse se despedindo com os olhos.
— Plano A. — Joe começou quando estávamos no fim da colina. — Se escondam e rastejem como animais, não deixem que te vejam.
Todos assentiram.
— Não se isolem. Não fiquem sozinhos. Não pisquem. Não se dispersem. Não façam barulho. Entrem no laboratório, peguem o antídoto e saiam, nem que isso signifique deixar os outros morrerem. Não banquem o herói. Chegou a hora. — Joe concluiu.
 ...

Eles eram muitos, tinham quase dois metros, tinham um odor insuportável, eram velozes.
Nos esquivamos em um posto de combustível na entrada da cidade, passando por trás de tanques de álcool, nos escondendo atrás de carros abandonados cidade a dentro. Logo a frente, a uns 50 metros os zumbis ficavam perambulando, se chocando com paredes, tropeçando em valetas, encarando prédios abandonados, era agonizante vê-los vagando, eles foram um dia pessoas, tinham uma família, filhos, uma casa. Agora não passavam de defuntos caminhando sem rumo em busca de comida.
Quanto mais adentrávamos a cidade mais eles apareciam, 90, 100, eram muitos, ficava muito difícil de passar despercebido, então nos separamos. Jon, Tom e Brendan, e eu e Greyson.

Greyson e eu estávamos escondidos atrás de uma prédio abandonado e a 1 quilômetro a frente o laboratório, esperando um momento seguro para avançar.
— Escute Ellen. — Greyson sussurrou sem tirar os olhos do laboratório — Se eu não sair vivo dessa, quero te dizer uma coisa.
— O que?
— Eu...
Ele interrompeu-se. Alguma coisa estava vindo em nossa direção, o barulho de passos lentos e pesados, mirei a arma na direção do barulho. Logo a luz da lua revelou do que se tratava.
Era uma mulher, usava um vestido longo, sujo e ensanguentado, tinha cabelos longos, pretos e armados, uma pele pálida cheia de poeira, cheia de cortes, olhos claros, quase brancos com um tom avermelhado. Levava no pescoço um colar, o mesmo de Greyson.
— Mãe? — Greyson falou perplexo e boquiaberto.
— G-Grey, não é sua mãe, você sabe, ela... — Minha voz falhou.
— Não Ellen, é minha mãe, veja... — Ele olhava para a criatura sem se mover.
Não havia sombras de dúvidas, era a mãe de Greyson, tinha os mesmos olhos que ele e levava o tal colar, aparentava ter 25 anos, mas com uma pequena diferença, ela estava infectada com o vírus e queria comer nossas tripas, a prova disso eram os cortes no rosto, naquele lugar, qualquer corte, resulta na metamorfose.
Greyson levantou a mão e deu um passo a frente, ele queria tocá-la. A criatura não recuou nem demonstrou nenhuma expressão humana, ficou parada feito uma estátua.
— Greyson... Afaste-se. — Falei tentando parecer mais segura do que estava.
— Você não entende... É minha mãe... Ela voltou... Voltou pra mim... — Ele sussurrou dando outro passo a frente.
Aquela coisa o devorava com os olhos, Greyson não percebia que ele estava caminhando para o suicídio, eu não poderia deixar isso acontecer, mirei na testa da criatura e coloquei os dedos sobre o gatilho. Greyson virou se para mim apavorado, tirou a arma da minha mão e jogou longe.
— Você não vai matar a minha mãe! — Ele berrou ao atirar a arma longe.
— Aquilo não é a sua mãe! — Gritei de volta.
Mas o zumbi não ia ficar nos observando discutir e antes do Greyson me dar uma resposta aquilo o puxou e o atirou longe, Greyson caiu e bateu a cabeça no velho muro do prédio. Atordoado, Greyson não conseguiu se levantar e o zumbi avançou em direção ao Greyson. Corri e peguei a arma, quando me virei, as unhas do demônio já estavam cravadas no peito do Greyson, ele gritava com a dor, sem pensar duas vezes, atirei. O tiro foi certeiro, dois deles e o zumbi caiu para trás. Corri ao seu encontro.
— Grey, meu Deus. — Me ajoelhei em lágrimas ao seu lado.
— Aquilo não era minha mãe, não é? — Ele disse atordoado em meio ao sangue.
— Não querido, não era.
Seu peito sangrava muito, seu braço estava todo cortado e sua cabeça com um corte enorme que jorrava sangue.
— Você a matou...
— Me perdoe... — Comecei a soluçar. — Mas eu não tinha escolha, eu...
— Ellen, você a matou... — Deu um grande sorriso, fraco, porém sincero. — Matou um zumbi, você conseguiu. Você me salvou...
Ele me presenteou com um sorriso que fez tudo valer a pena, um sorriso que tocou lá no fundo. Eu poderia ficar o admirando para sempre.
— Você tem... Você tem que sair daqui. — Ele falou, agora com a voz falhando.
— Não vou te deixar aqui.
— Você não vê? Daqui a 15 minutos vou querer comer suas tripas! Ellen, eu estou infectado!
— Não! — Comecei a soluçar.
— Se eu tiver sorte, eu morrerei antes do vírus fazer efeito.
—Não, por favor...
— Saia! — Ele berrou.
Me levantei.
Ele começou a se contorcer, suas unhas rasgavam a terra, eu não queria ficar ali para assistir a dolorosa mutação, não havia nada a fazer. Me lembrei de Brendan e da atitude do Joe. Joe o matou, não poupou, eu deveria fazer o mesmo, atirar na cabeça, um zumbi a menos...
 Mas era óbvio, depois nada faria sentido, como eu iria continuar, matando a pessoa que eu mais... Que eu mais... Enfim, agora eu sabia o como foi difícil para Grey, eu entendi como Greyson não conseguiu matar sua ‘mãe’ mesmo estando infectada. Eu não queria pensar mais nesse assunto.
— Eu vou te salvar, vou pegar a cura, aguente firme. — Decidi à final.
— Ellen... — Ele me chamou ofegante. — Eu falhei.
— Ainda não.
Dizendo isso sai correndo. Eu não queria me esconder, não queria passar despercebida, só queria sair logo daquele inferno. Corri para o meio da multidão de zumbis que se formava na frente do laboratório e usei meu pavor, meu ódio, meu espanto e minha tristeza a meu favor. Comecei a atirar como uma louca, não mirava, nem olhava. Apenas saia correndo disparando balas e via zumbis caindo, atingidos.
Por um infeliz acaso, resolvi olhar a volta. Vi Tom no chão, caído. Logo na frente, Jon. E Joe logo em seguida. Todos mortos. Cada um com cinco ou seis demônios se alimentando.
Não me lembro exatamente do que aconteceu em seguida. Meu raciocínio ficou anestesiado, em volta vi tudo em câmera lenta. Lembro-me de ter usado toda minha velocidade. Esquivei de um. Acertei outro na cabeça com a parte de trás de minha arma. Passei por baixo de outro. Segui instintos que aprendi em anos de aulas práticas e teóricas, apesar de saber que nunca conseguiria entender tudo, não me sai tão ruim quanto imagina. 
 Em um segundo percebi que as balas acabaram. Foi o momento que tive mais pânico desde que sai da proteção do paredão. Comecei a tremer, meu sentidos voltaram, só o que pensei em fazer foi correr. Olhei para trás, eles me seguiam, correndo a toda velocidade eu não tinha mais chances, eu... Eu senti uma pancada no corpo todo que me fez cair para trás, eu tinha trombado com uma porta... Uma porta... Do laboratório!!
Acho que não consegui dar nenhum meio sorriso, mas eu não tinha ficado tão feliz assim há anos. Girei a maçaneta, óbvio, estava tudo muito fácil, estava trancada. Dei um ou dois chutes na porta e ela nem se moveu, atrás zumbis vinham a uma velocidade enorme e minha única saída estava trancada. Eu podia atirar na maçaneta, mas eu estava sem bala. Antes que eu começasse a soluçar ou esperar minha morte a porta abriu num movimento brusco e um braço me puxou para dentro.


Capitulo 11

Brendan vai embora em um saco plástico
No sofá eu tive um sono leve, Greyson ficou no chão e os outros se espalharam pela sala. Quando de repente ouvi barulhos vindos da cozinha, me sentei no sofá em pânico e percebi os outros acordados pedindo silêncio com o dedo.
Joe com os olhos arregalados sussurrou:
— Onde está Brendan?
Olhei a volta, ele não estava na sala, senti um nó de se formar em meu estômago.
Levantamo-nos de vagar, os sons na cozinha só aumentavam, Jon chutou a porta da cozinha e lá estava Brendan, com a boca cheia, parado na frente da geladeira.
— O que você esta fazendo seu idiota?! — Gritou Joe
— Está comendo? — Tom perguntou.
— Desculpa gente, eu não resisti. — Brendan engoliu o que estava na boca. — Querem um pouco?
— Você não tem noção do que acabou de fazer, você... A quanto tempo esta comendo?
— Uns 30 minutos. — Respondeu sem dar muita importância. — Fiquei com muita fome e...
Ele parou de falar repentinamente, sua expressão sumiu do rosto, empalideceu de olhos arregalados.
— O-o que f-foi que eu fiz... — Ele disse com esforço, como se doesse para falar.
Imediatamente seus joelhos cederam, ele caiu no chão, ofegante.
— Isso vai ficar feio. — Greyson disse perplexo.
— Se afastem. — Marth recomendou.
Brendan começou a tremer, com se estivesse sendo eletrocutado, logo em seguida começou a se contorcer no chão, seus olhos mudaram de cor, ficaram castanhos esverdeados, uma espuma branca começou a sair pela sua boca. Ele parecia estar sentindo uma dor insuportável, porém não tinha nenhuma expressão e não emitia nenhum som. Foi a pior cena da minha vida, eu tinha, naquele momento, certeza de isso me faria ter pesadelos pelo resto de minha vida. Ninguém se movia ou piscava, meus joelhos ameaçaram ceder, mas aguentei.
— A-Atire... — Joe sussurrou para Tom, o único com arma ali. — N-Na cabeça...
— Mas é o Brendan... — Tom saiu de uma espécie de transe e respondeu.
— Brendan está morto.  Aquilo não é o Brendan.
Os dedos de Tom tremiam no gatilho, mas ele, nem ninguém, conseguia mover nenhum músculo.
‘Brendan’ de repente parou. Levantou-se, abriu a boca cheia de espuma branca e soltou um rugido alto suficiente para ser escutado a 10 quilômetros dali, um rugido que mais parecia um leão misturado com elefante.
— Atire!! — Joe berrou quase mais alto que a criatura.
Greyson se jogou na minha frente, querendo me proteger.
— Tom!! Atire!! — Ele berrou novamente.
Tom não se movia, parecia mais assustado que eu. A criatura avançou, num movimento rápido e brusco, Joe tirou a arma da mão de Tom e atirou. Três tiros certeiros na testa. ‘Brendan’ caiu de costas jorrando sangue pela cozinha toda.
Jon e Marth nos empurraram para fora da cozinha.
Sentei no sofá e desabei em lágrimas.
— O que foi isso? — Tom perguntou com uma voz fraca, ele estava mais branco que papel.
— Ele comeu comida infectada, logo... — Marth respondeu, mas sabíamos a resposta.
— Foi tudo culpa minha. — Consegui falar em meio a soluços.
Joe e os outros andavam pela sala de um lado para o outro.
— Não, querida, não foi. — Tom se aproximou colocando a mão sobre meus ombros.
— Foi sim, se eu não tivesse perdido a mochila, Brendan não estaria com tanta fome a ponto de comer comida infectada. — Senti vergonha.
— Não, não você...
 — Deixe comigo. — Greyson sussurrou para Tom. — Eu cuido dela.
— Eu só estava...
— Eu sei.
Tom se levantou do sofá e Greyson sentou. Ele colocou seus braços em volta dos meus ombros.
— Vai ficar tudo bem. — Ele sussurrou. — Eu prometo.
Um silêncio mortal prevaleceu na sala. Só podia se ouvir os nervosos passos de Joe andando de um lado para o outro.
— Vou ir embora. — Marth disse. — Dar meia volta. Preciso levar o corpo de Brendan de volta aos pais. É o mínimo que ele merece.
— Tudo bem. — Joe concordou.
Pensei que Joe fosse discutir, afinal, passamos dias andando, com medo, com fome, para no final, Marth desistir assim tão fácil. Estava na cara que o Marth estava com medo e o usou a morte de Brendan a seu favor.
— Vocês deviam fazer o mesmo. Eu termino isso. — Joe encorajou-se
— Até parece. — Tom tentou se mostrar mais confiante do que parecia.
— Vocês têm que voltar.
— Você não vai conseguir sozinho, Joe. — Greyson disse calmamente.
—Sendo assim, temos que ir agora. — Joe colocou a mochila nas costas.
— O que? Não. Estamos cansados e com fome. Não vamos conseguir. — Conseguir dizer em meio a soluços, aquela cena realmente me traumatizou. — Ainda está escuro, tudo favorece os zumbis.
— Vocês não vêem?! — Gritou Joe. — Eles estão vindo! Brendan grunhiu, chamou os outros, eles sentem cheiro de sangue, seremos encurralados aqui!
— Ele tem razão. — Jon se levantou.
Não discutimos mais. Marth amarrou Brendan em um saco plástico preto, e o arrastaria de volta ao paredão.
Carregamos as armas. Bebemos as últimas gotas de água, e nos preparamos.
Saímos da fazenda abandonada, fomos para um lado, e Marth e o que restou de Brendan do outro. Vimos novamente lá embaixo a cidade as escuras. Podia sentir o cheiro podre. Descemos a colina e logo a nossa frente, uns 40 ou 50 zumbis famintos nos aguardavam. Joe somente murmurou:
— Começou.