Coronel
Jordan
Na segurança do paredão tiveram
preferência ‘pessoas úteis’, tive sorte, minha mãe é médica, meu pai era
coronel, e passou a ser o comandante do exército mais forte da colônia. O pai
de Greyson é professor militar, sua mãe... Bem... Sua mãe morreu, eu não sabia
o como, mas eu nunca o perturbava com isso. Aqui também ficam presidentes,
ministros, gente da Casa Branca, mas nós nunca os vemos.
Eu e Greyson somos amigos desde que
me conheço por gente, ele é um ano mais velho que eu, eu tenho 16.
Estávamos em nossa hora vaga, sempre depois
das 16:00, cinco horas de escola e mais quatro horas de aula prática de
combate. Eu estava sentada na varanda da minha casa, encarando um livro — Mais
pesado que tijolos — Que levava o título de ‘Anatomia zumbi’.
— Eu nunca entendi esses livros. — Greyson se
sentou ao meu lado — Como eles sabem da anatomia zumbi? Eles já abriram a
barriga daqueles demônios para descobrir?
— Talvez seja uma hipótese. — fechei
o livro
— Não precisamos de hipóteses.
Ficamos em silêncio.
— Se você lesse esses livros saberia
que existem zumbis que primeiro te matam, depois te devoram. — Quebrei o
silêncio.
— Pra que eu saberia disso? — Ele
riu.
Dei de ombros.
— Quando acha que vai ser? —Ele
disse.
— Ser o que? — estranhei
— Quando acham que vão me colocar no
exército e me mandar pra fora em uma busca?
— Você tem só 17!
— Se você prestasse atenção nas aulas
saberia que eles mandam jovens acima dos 17 pra fora!
— Greyson, você é o que menos presta
atenção.
— Eu sei. — ele riu — Foi meu pai
quem me disse ontem à noite, sinceramente, não quero ir lá fora, não para matar
aquelas criaturas, não que eu goste delas, por que sinto nojo, mas é suicídio!
— Não queremos matá-los, queremos a
cura, para salvá-los!
— Tão linda, mas tão burra, onde o
antídoto foi visto pela última vez? No laboratório! No ninho, onde eles se
concentram, tento convencer meu pai que é impossível, mas ele me trata como
criança!
— ‘Tão linda, mas tão burra’? — dei
um soco de leve em seu braço – Obrigada!
Ele nem sentiu o soco.
— O exército já cogitou em jogar uma
bomba no ninho e exterminá-los logo em suas origens — começou ele — mas lá esta
o antídoto, a cura, iria destruí-la.
— Eles se alojam na zona mais
complicada para combate e ainda temos a ignorância de falar que eles não
pensam. Que pelo cérebro parado, eles são 10 vezes mais burros.
Greyson parou um momento, começou a
analisar o que eu tinha dito, ele era um garoto muito inteligente, suas
táticas, estratégias, o modo no qual ele pensava, ele tinha tudo para ser um
dos melhores soldados de guerra, porem, não era isso que ele queria.
— Tenho que ir, o Coronel Jordan
disse que queria falar comigo amanha depois da aula de combate, com certeza por
que não passei nos exames da escola e ele quer me fazer testes de recuperação.
Tenho que estudar. — Sua cara se fechou — Odeio estudar.
— Greyson, me diga, por que um ‘Coronel’
aplicaria os exames em você?
— Mistérios do paredão...
— Sei, vai lá... — Sorri.
— Até amanha. E vê se não foge do
país.
— Como se fosse possível.
Ele se foi, entrei em casa. Jantei. Tomei
banho e me joguei na cama.
A umas 5 semanas uns 5 zumbis de
alguma forma conseguiram entrar dentro do paredão, coronel não gostou nada
disso, dormi pensando se Greyson tinha algo a ver com isso...
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