Paredão de Concreto
Tudo havia se tornado tão monótono, uma rotina tão simples, sempre as
mesmas coisas, mesmas atividades, mesmas ações, mesmas pessoas, com o mesmo
clima de tensão total, nada mudava. Não me lembro da última vez que me senti
realmente feliz, animada ou ansiosa, ‘esperança’ era agora, somente uma
palavra, sem significado. Os dias eram cinzentos, parecia que até mesmo o sol
havia desistido...
Os
tempos mudaram, evoluiram, a tecnologia avançou, estudos sobre a anatomia humana
se tornaram prioridade, e a obsessão de loucos que usavam suas mentes
brilhantes para satisfazerem suas loucuras doentias, fizeram com que iniciassem
o apocalipse...
Há homens armados por toda parte, com
uniforme, expressão sombria e vazia, aqueles olhares que dão arrepios...
Não tenho do que reclamar, eu poderia ser um deles, os ‘mortos’ porém
estou segura, dentro do paredão, estou viva, meu coração ainda bate, diferente
de 90% da população mundial...
Eu os escuto durante a noite, os ouço grunhir, um rosnando baixo, quase
um sussurro, um gemido talvez, que o vento trouxe de longe para atormentar
minhas noites...
Chamo-me Ellen, na fase da adolescência é um ‘pouco’ complicado passar
pelo o que eu passo. Vivo aqui, cercada por um paredão de 7 metros de altura
com extensão de quilômetros, eu e mais aproximadamente 10 mil pessoas, somos os
únicos seres ‘vivos’ da terra, estamos nos protegendo para nossa espécie não
entrar em total extinção, resumindo, vivemos o Apocalipse Zumbi...
Em Nova York, cerca de 70 anos atrás
um cientista brilhante, porém, totalmente perturbando, Wilbert Smith, desafio-se
a criar um vírus, diferente de todos os outros, um vírus mutante, que faria
seus hospedeiros entrarem em metamorfose ou transformação, chame-o do que
quiser, esse vírus o faria evoluir. Segundo o que ele relatava, ele apenas
queria criar humanos mutantes, humanos com 10 vezes mais força que um normal,
para obter vitórias em guerras futuras, como um super humano. Mas a coisa saiu
do controle, os experimentos deram errado, e a cobaia humana onde foram aplicados
os primeiros resultados do vírus feito pelo cientista, o atacou, fugindo de
controle, e espalhando a praga a todo o resto da população, uma praga que
denominamos com ‘Vírus Zumbi’. Ele criou um homem, um homem com 10 vezes mais
força, 10 vezes mais ágil, 10 vezes mais burro, com um único desejo — Te devorar
vivo para satisfazer sua fome e quando não estão com fome te atacam por
instinto.
Essa era a história que meus pais me
contavam quando eu era criança, como uma mãe que ensina o filho sobre seu país,
desde pequenos éramos treinados contra qualquer tipo de situação problema,
envolvendo os ‘demônios’ — Assim o exército chamavam os zumbis —. Na escola
aprendíamos nada além de estratégias de luta e do funcionamento da existência
zumbi.
Nasci dentro desse paredão — Que não é muito
grande, mais ou menos o tamanho de uma cidade qualquer, um contorno de concreto
do tamanho de uma cidade abrigava a população dos demônios — e provavelmente
vou morrer aqui. Os cientistas mais competentes, que provavelmente nos
salvariam, entraram em mutação, pois foram contaminados, e a cura, o antídoto
criado pelo próprio inventor do vírus estava no ninho dos zumbis, no
laboratório no centro da cidade, impossível de alcançar...
Aqui eu tenho um amigo, um apenas, o único que
assim como eu e diferentes dos outros jovens da nossa idade, não quer entrar
para o exército, não quer ir lá fora matar os demônios, sim, temos um profundo
desejo em explorar como é o mundo atrás de 7 metros de altura de concreto, mas
as guerras, segurar uma arma do tamanho de um tronco de árvore e mirar em
monstros —humanóides— na cabeça, não parecia uma boa coisa para nós, o único
que pensava assim, é Greyson. Greyson Chance.
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