sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 1

 Paredão de Concreto
  Tudo havia se tornado tão monótono, uma rotina tão simples, sempre as mesmas coisas, mesmas atividades, mesmas ações, mesmas pessoas, com o mesmo clima de tensão total, nada mudava. Não me lembro da última vez que me senti realmente feliz, animada ou ansiosa, ‘esperança’ era agora, somente uma palavra, sem significado. Os dias eram cinzentos, parecia que até mesmo o sol havia desistido...
   Os tempos mudaram, evoluiram, a tecnologia avançou, estudos sobre a anatomia humana se tornaram prioridade, e a obsessão de loucos que usavam suas mentes brilhantes para satisfazerem suas loucuras doentias, fizeram com que iniciassem o apocalipse...
 Há homens armados por toda parte, com uniforme, expressão sombria e vazia, aqueles olhares que dão arrepios...
  Não tenho do que reclamar, eu poderia ser um deles, os ‘mortos’ porém estou segura, dentro do paredão, estou viva, meu coração ainda bate, diferente de 90% da população mundial...
  Eu os escuto durante a noite, os ouço grunhir, um rosnando baixo, quase um sussurro, um gemido talvez, que o vento trouxe de longe para atormentar minhas noites...
  Chamo-me Ellen, na fase da adolescência é um ‘pouco’ complicado passar pelo o que eu passo. Vivo aqui, cercada por um paredão de 7 metros de altura com extensão de quilômetros, eu e mais aproximadamente 10 mil pessoas, somos os únicos seres ‘vivos’ da terra, estamos nos protegendo para nossa espécie não entrar em total extinção, resumindo, vivemos o Apocalipse Zumbi...
  
Em Nova York, cerca de 70 anos atrás um cientista brilhante, porém, totalmente perturbando, Wilbert Smith, desafio-se a criar um vírus, diferente de todos os outros, um vírus mutante, que faria seus hospedeiros entrarem em metamorfose ou transformação, chame-o do que quiser, esse vírus o faria evoluir. Segundo o que ele relatava, ele apenas queria criar humanos mutantes, humanos com 10 vezes mais força que um normal, para obter vitórias em guerras futuras, como um super humano. Mas a coisa saiu do controle, os experimentos deram errado, e a cobaia humana onde foram aplicados os primeiros resultados do vírus feito pelo cientista, o atacou, fugindo de controle, e espalhando a praga a todo o resto da população, uma praga que denominamos com ‘Vírus Zumbi’. Ele criou um homem, um homem com 10 vezes mais força, 10 vezes mais ágil, 10 vezes mais burro, com um único desejo — Te devorar vivo para satisfazer sua fome e quando não estão com fome te atacam por instinto.
Essa era a história que meus pais me contavam quando eu era criança, como uma mãe que ensina o filho sobre seu país, desde pequenos éramos treinados contra qualquer tipo de situação problema, envolvendo os ‘demônios’ — Assim o exército chamavam os zumbis —. Na escola aprendíamos nada além de estratégias de luta e do funcionamento da existência zumbi.
 Nasci dentro desse paredão — Que não é muito grande, mais ou menos o tamanho de uma cidade qualquer, um contorno de concreto do tamanho de uma cidade abrigava a população dos demônios — e provavelmente vou morrer aqui. Os cientistas mais competentes, que provavelmente nos salvariam, entraram em mutação, pois foram contaminados, e a cura, o antídoto criado pelo próprio inventor do vírus estava no ninho dos zumbis, no laboratório no centro da cidade, impossível de alcançar...


 Aqui eu tenho um amigo, um apenas, o único que assim como eu e diferentes dos outros jovens da nossa idade, não quer entrar para o exército, não quer ir lá fora matar os demônios, sim, temos um profundo desejo em explorar como é o mundo atrás de 7 metros de altura de concreto, mas as guerras, segurar uma arma do tamanho de um tronco de árvore e mirar em monstros —humanóides— na cabeça, não parecia uma boa coisa para nós, o único que pensava assim, é Greyson. Greyson Chance.

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