sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 17

No final, tudo valeu a pena
Vesti a roupa e sai da sala do hospital. Agora eu já me sentia melhor com relação a minha situação física. Caminhei pelos corredores do hospital, não havia nada, nem ninguém, o prédio estava totalmente abandonado.
Quando cheguei a entrada principal a luz do sol cegou meus olhos, mas o que vi depois fui muito mais incrível do que ver o sol.
 O paredão de concreto havia caído. Nada mais separava nós dos zumbis, se é que ainda existiam zumbis.
— Bonito não é? — A voz do Coronel soou do meu lado. — Você salvou o mundo.
— Por quanto tempo eu dormi?! — Perguntei.
— 2 meses, olha, você chegou aqui quase morta. Você deu trabalho.
— Onde estão meus pais? E cadê todo mundo?
— Eles foram reconstruir a vida deles, foram começar a viver de verdade. Quanto a seus pais, eu os convenci que te deixassem aqui sozinha comigo, pois eu me recusei a tirá-la daqui sem que quando você acordar, veja o que conseguiu fazer. Você vai vê-los em breve.
— Hã, então ta. Isso é lindo. ­— Eu queria soar mais animada do que estava.
— Ellen, tudo isso valeu a pena?
Eu o encarei por um instante, nunca tive tempo para pensar no assunto.
— Eu não tive muita escolha não é mesmo? — Respondi.
Eu não queria causar culpa no Coronel, depois de tudo que ele teve que passar, não é fácil para ninguém decidir o que fazer, sendo que o que está em jogo é a vida de seres humanos, mas não consegui pensar em outra resposta.
— Olhe para mim, Coronel. — Ergui meus olhos para ele. — Perdi a pessoa que mais se importava comigo, amigos que conheci a pouco tempo e creio que também perdi minha sanidade. Por outro lado salvei o mundo, não me pergunte se valeu à pena, pois você sabe que não sei a resposta.
Ele concordou de cabeça baixa, aquela era a conversa mais difícil e dolorosa que já tive com alguém.
— Mas não é isso que eu queria te mostrar...
— Então o que é?
— Lembra do que aconteceu no laboratório, quando ‘aquele’ zumbi te atacou.
Meu estomago se revirou, comecei a sentir vertigem. Lembrar do momento exato era tudo de que eu queria ser poupada de lembrar.
— O que é que tem? — Suspirei por fim.
— Quando você enfiou a faca na cabeça ‘daquele’ zumbi você o deixou inconsciente, não sabemos por que, mas a facada afetou apenas a raiz do vírus, não o cérebro, apenas uma pequena parte foi danificada...
— Aonde quer chegar? — Perguntei confusa.
— Escute, o hospedeiro permaneceu infectado, mas não morto totalmente. Você trouxe a cura que salva os infectados, e agora eu pergunto, não sabe aonde quero chegar? — Ele me observava com cuidado.
— Ele está vivo?
— Por que não pergunta a ele. — Coronel falou por fim apontando para trás.
 Quando eu olhei para trás lá estava ele, em pé, diante mim, radiante, uma expressão vazia. Estava pálido, cheio de curativos em todo o corpo e na testa, uma enorme faixa cobria o local de onde minha faca entrou...
 Eu não estava conseguindo absorver a informação, apenas fiquei paralisada o olhando, ele não manifestou muito entusiasmo.
Quando depois de minutos o encarando corri em sal direção e, ao abraçá-lo, pude sentir seu coração bater, pude sentir o calor de sua pele, aquele abraço me mostrou que eu também estava viva...
Greyson não respondeu ao abraço eu o soltei e comecei a observá-lo.
— Greyson, você ta vivo! Eu... Eu... Grey, por que esta me olhando assim?
— Ah, eu... eu não... ah.. — Greyson se enrolou com as palavras tentando buscar na mente quem eu era.
— Hã, Ellen... — Coronel pousou sua mão em meu ombro. — Parte da memória dele foi danificada, se ele não se lembrar de você... Só entenda que é inevitável...
Não, aquilo não poderia estar acontecendo. Tudo estava tão incrível, ele estava diante mim, vivo, se ele não se lembrasse de mim... Eu... Eu não sei o que aconteceria...
Senti meu estômago se revirar novamente, meus olhos começaram a se encher de lágrimas, e por fim, como um sussurro, perguntei a ele:
— Grey... Se lembra de mim?
— Ellen?
— Sim! Grey sou eu! Você se lembra de mim?! — Perguntei em gritos.
— Eu... Claro... Ellen eu lembro! Ah... A gente.. Er... Saiu em uma busca e.... E apareceu um zumbi e.... hã, outros zumbis, ai quando chegamos perto do que queríamos um zumbi me atacou, depois eu só me lembro que comecei a sentir uma dor absurda e depois eu acordei aqui em uma maca...
As lágrimas se tornaram lágrimas de felicidade, ele se lembrava de mim, ele conseguiu e dessa vez, me abraçou com toda a sua força...
Vi que Coronel Jordan se afastava para nos deixar sozinhos.
— Nunca mais me assuste assim idiota. — Falei depois de um longo tempo olhando em seus olhos.
— Por quê? Ficou preocupada comigo? — Ele perguntou sorrindo.
— Engraçadinho. Você quase morreu! Você estava morto.
— Eu não pude morrer, eu tinha algo a te dizer que não havia tempo para ser dito, eu me lembro, quando estávamos escondidos atrás do prédio abandonado, esperando um momento seguro para avançar... — Ele disse colocando meu cabelo atrás da orelha.
— E posso saber o que?
Ele fez um silêncio misterioso. Olhou para o horizonte e depois se concentrou em meus olhos. Por fim disse:
— Eu... Eu te amo.
...







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