sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 13

Converso com um velho louco
 Bem, em todos os dias que eu estive fora, fiquei imaginando como nós encontraríamos o laboratório, como entraríamos e como sairíamos vitoriosos. Eu imaginava portas arrombadas e quando entrássemos, nós nos assustaríamos com a poeira, com os animais mortos, com os móveis quebrados, com os recipientes químicos em cacos e líquidos tóxicos espalhados por todo o chão... Não foi bem assim.
Fui puxada para dentro com tanta força que cai no chão, ao me levantar escutei a porta ser trancada novamente e lá fora, zumbis arranhando a porta feio loucos famintos (que eram). Virei-me para a porta e apontei minha arma, seja lá o que foi que salvou minha vida, não tinha boas intenções.
 Surpreendi-me, um velho, aparentava 60 anos, encostado na porta ofegante, tinha cabelos grisalhos, rugas enormes e olheiras escuras em baixo nos olhos, um pele extremamente pálida — A pele fez me lembrar de Tom, o que me deixou triste — cabelos cinzas, usava óculos redondos, luvas plásticas e um avental branco um tanto quanto sujo. Sua camisa levava um nome estampado do lado direito que pude ler com clareza, ´´Wilbert Smith´´.
— Estava a sua espera. — Ofegou o velho com um meio sorriso.
— Quem é você?! — Perguntei sem tirar o velho da pontaria da arma.
— Então, alguém finalmente conseguiu. — Ele suspirou, ignorando minha pergunta. — Você não tem tempo a perder.
Dizendo isso ele desencostou da porta e percorreu a sala do laboratório e se sentou em uma mesa, cheia de livros. Só então parei para observar o local, era incrível tinha uma estante enorme com livros tão grossos quanto os livros que nos mandavam decorar na academia preparatória do paredão, velas por toda parte clareavam o ambiente, varia mesas com vidros, recipientes, cheios de líquidos coloridos, alguns soltava fumaça, outros borbulhavam, outros emitiam claridade, logo ao lado, uma cama, ao lado da mesma uma estante de vidro cheio de caixinhas de vidro contendo pílulas que levavam etiquetas ‘Café da manha’, ‘almoço’ e ‘jantar’. Me aproximei de uma mesa e fiquei completamente perplexa, havia sobre ela papeis, anúncios, revistas, panfletos de 60 ou 70 anos atrás, quando a peste zumbi se espalhava, anunciavam que deveríamos fugir, se esconder, outros anunciavam que o fim dos dias chegou entre outros do gênero.
— Aterrorizador não é? — O velho disse, fazendo minha atenção voltar a ele.  — Você se imagina nessa época de desespero? Você se imagina nessa situação? Era assim: Ou você é rico ou você vira zumbi.
Fique alguns segundos pensando no que ele disse.
— Quem é você? — Perguntei novamente. — Responda, ou...
— Ou o que? — Ele interrompeu calmamente. — Vai atirar em mim com uma metralhadora sem balas?
Foi quando me lembrei que realmente estava sem munição. Percebi que o velho não me faria mal, mas era muito perturbador, eu não estava entendendo nada, o que ele fazia lá? Por que me ajudou? Por que estava usando uma camisa com o nome do inventor do vírus zumbi? Desabei em uma cadeira e me dei conta de como eu estava cansada. Afundei meu rosto em minhas mãos, apoiando o cotovelo nos joelhos.
— Escute minha querida, não quero prejudicá-la, não entre em pânico. Agora tudo vai ficar bem. — As palavras daquele senhor, me fizeram me sentir um pouco melhor. —  Eu sei quem você é, sei que perdeu pessoas muito importantes há pouco tempo e sei que você pode nunca mais reencontrar o garoto que você mais gosta...
— Como você...
— Não faça perguntas que você sabe que eu não irei responder. — O velho interrompeu, levantando-se. — Meu nome é Wilbert Smith.
— Está mentindo.
— Não estou. Fui eu. Eu inventei o vírus. Eu matei seus amigos. O meu vírus infectou seu amigo. O meu vírus fez você matar a mãe do garoto que você mais ama. Fui eu que fiz você e toda a raça humana ainda existente ficar presos em um muro de pedra como animais selvagens! — Wilbert gritou.
— Não!! — Gritei de volta. — Isso é impossível!
— Eu inventei um vírus que causa uma mutação deprimente no ser humano, eu poderia muito bem inventar cápsulas de alimento e poderia muito bem inventar comprimidos que substitua a água, coisas essências para a sobrevivência, assim como eu também poderia criar a ‘fonte da juventude’ ou como costumo dizer o remédio da imortalidade.
— O senhor está louco. — Concluí. — Mesmo que seja capaz de fazer tudo isso, eu perguntaria, ‘Por quê?’
— Esta vendo aquela caixa branca? — ele apontou em cima de uma mesa no canto da sala. — Dentro dela tem um vidro, com um líquido verde, é a cura, eu sobrevivi até agora, só para que alguém viesse aqui, pegá-la e salvar o mundo.
—Isso não faz sentido. — Falei
— Na verdade faz todo sentido. Não foi minha intenção começar o apocalipse.
— E por que simplesmente não nos deu a cura logo.
— Já tentou sair daqui? Você viu o que tem lá fora? E além de tudo sou um velho...
— E como você acha que eu vou sair daqui!? — Gritei me levantando da cadeira.
— Você veio, pode muito bem sair.
A sala ficou em silêncio. O velho deitou em sua cama, com uma expressão cansada, triste e sombria.
— Sabe garota, não sou tão inteligente assim. — Ele falou se acomodando na cama. — Eu não parei de envelhecer, apenas retardei o processo. Há anos, continuar vivo é muito doloroso.
Por um momento senti pena.
— Eu não poderia partir deixando o mundo assim. — Continuou. — Eu não poderia morrer, deixando para trás toda a destruição que causei. E agora que a cura está salva, posso partir em paz.
— O que? Não! O senhor não pode! Eu não vou conseguir! Eu vou falhar.
— Você não vai falhar.
Me lembrei do Greyson, baixei meus olhos e vi que eu deveria fazer aquilo, eu tina que conseguir, eu deveria levar a cura de volta e salvar Greyson, senti o peso do mundo em minhas costas.
— No final, você executará o papel de herói e o garoto será o objeto que te manterá viva. As coisas mudaram de lugar... — O velho deu um último suspiro e fechou os olhos.
Segurei seu pulso e não senti mais a pulsação, ele se fora.



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