sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 9

Tenho outro colapso heroico.
Caminhamos algumas horas sem descanso, era meio dia, o sol nos castigava.
— Não podemos continuar nesse sol. — Marth disse e todos concordaram de imediato.
Tudo em volta parecia uma floresta. Entramos em uma aglomeração de árvores a procura de um lugar seguro para descansar.
Greyson de repente parou de andar e começou a olhar em volta.
— O que foi agora? — Perguntou Joe.
— Ouviram isso? — Greyson disse procurando com os olhos de onde vinha o som.
— Ouvir o que? Não ouso nada! Eu... — Tom falou.
— Se você fechar a boca você irá escutar. — Greyson o interrompeu.
Joe e os outros contraíram os lábios escondendo um sorrindo.
— Vem dali! — Grey disse e saiu correndo em direção leste.
Não tivemos outra opção a não ser segui-lo. Corremos minutos suficientes para eu concluir que Greyson estava ficando louco, porém, depois que paramos e depois que eu recuperei o fôlego, percebi do que se tratava.
Era lindo. A nossa frente uma deslumbrante cachoeira desaguava em um lago de águas cristalinas, podíamos ver o fundo do lado, pedras enormes e árvores fantasticamente verdes rodeavam o lago. Entreolhamo-nos.
— Estão a fim de nadar? — Brendan perguntou por fim.
— Só se for agora. — Jon sorriu
Marth, Brendan e Jon foram os primeiros a mergulhar, logo depois Greyson.
—Nós não podemos perder o foco. — Joe disse. — Lembrem-se do que vieram fazer aqui.
— Ah, pare de ser chato e mergulhe aqui. — Marth gritou e Brendan incentivou.
— É cara, vem logo! — Jon ajudou
Estava na cara que Joe estava louco para entrar no lago, mas como sempre, alguém teve que convencê-lo.

— Você não vem? — Greyson gritou para mim do lago.
Me surpreendi. Mais cedo ele não queria falar comigo, talvez ele tenha esquecido.
— Hã, eu não sei nadar. — Disse balançando a cabeça.
— Não me faça ir ai te buscar.
— Não ouse.
— Duvida? — Ele falou com um sorriso malicioso.
Ele não me deixou responder. Saiu do lago e veio em minha direção. Nesse momento eu estava decidindo se saia correndo ou dava-lhe um soco no nariz, como as duas opções estavam fora de cogitação simplesmente o observei chegar cada vez mais perto.
Ele me pegou no colo e quando me dei conta ele já avia pulado no lago. Logo submergi, ele me segurava pela cintura. Sim, eu não menti quando disse que não sabia nadar. Ficamos lá por uns minutos quando me dei conta que Tom estava sentado em uma pedra embaixo de uma árvore, uns cinco metros longe da cachoeira, com a cabeça baixa, me perguntei por que ele não vinha conosco.
— Tom! — Gritei para chamar sua atenção. — Venha com a gente!
—Hã, melhor não! Estou ótimo aqui! — Ele gritou de volta.
— Qual é Tom? Eu não vou ai te pegar no colo então é melhor você vir logo! — Greyson me ajudou.
Tom lançou um olhar a Joe que deu de ombros, não entendi o motivo que levou Tom esperar a aprovação de Joe para entrar no lago. Então, ele levantou sem nenhuma vontade, foi quando percebi que a árvore que ele estava sentado era uma mangueira carregada de mangas.
—Grey, são mangas! — Falei para Greyson, que ainda me segurava para eu não afundar.
— Mangas! Mangas, são ótimas, vamos lá pegá-las. — Eu nunca vi Greyson tão entusiasmado.
Saímos do lago e fomos até a árvore. Greyson me ajudou e eu subi nela. Enquanto eu recolhia as frutas ouvi berros do Joe:
—Saiam! Saiam todos do lago! AGORA!!
De cima da árvore pude ver o que acontecia. Tom ao tentar entrar no lago havia escorregado e batido a cabeça em uma rocha obviamente escorregadia, havia sangue por todo lado, mas eu não entendia o porquê ninguém o ajudava, todos o olhavam em pânico sem saber o que fazer enquanto ele, inconsciente, começava a deslizar e afundar.
— Greyson! O Ajude! — Falei a ele.
Greyson correu a ele enquanto eu descia da árvore. Quando chegamos lá, mais berros do Joe:
—Afastem-se! Ninguém toca nele!!
— Você ta ficando louco! Ele vai morrer! —Gritei.
Ninguém mais estava na água, ninguém o ajudava e ninguém fazia nada. Eu estava ficando louca e irritada, eles iam mesmo deixar o garoto ali para morrer?
—Luvas, luvas, eu preciso de luvas! — Joe começou a revirar a mochila.
Ele lançou um olhar a Greyson e ele como se entendesse começou a se afastar me puxando pelo braço.
— Me solta! Alguém tem que ajudá-lo! — Falei puxando meu braço de volta.
Corri para perto de Tom e quando eu ai puxá-lo para terra firme Joe berrou:
— Ellen! Ele tem AIDS!
De repente parei, eu não sabia se o encarava, se eu processava a informação ou se tomava alguma atitude, meus olhos se arregalaram e só pude dizer a Joe:
— Você é um monstro.
Não me arrependo do que fiz, nem nunca vou me arrepender. Tom começava a escorregar da rocha e começava a afundar, o puxei pelo braço e o coloquei em terra firme. O ferimento na cabeça era profundo e jorrava sangue. Eu começava a me questionar se era certo fazer isso, mas antes da minha sanidade ser posta a prova Greyson ajoelhou ao meu lado com um kit de primeiros socorros.
—Me desculpe por não ter ajudado. — Ele sussurrou envergonhado. — Estou com você.


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