sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 7

Rinocerontes Zumbis nos atacam
Voltamos junto aos outros. Joguei a garrafa de lado, perdi a sede.
Eu estava exausta. Após andar não sei quantos quilômetros, que mais parecia ser daqui a lua, e quase ser atacada por um zumbi, eu só queria descansar.
A noite caía e ela parecia mil vezes mais assombrosa do que o dia.
O topo da colina era rochoso, muito desconfortável, impossível dormir.
— Não vamos fazer uma fogueira ou algo assim? — Perguntei a Greyson, sentado ao meu lado.
— Nada seria mais chamativo do que fogo, no topo de uma colina deserta e a noite. — Ele disse com uma expressão cansada. — Esta com frio?
Eu disse sim com a cabeça. Ele passou seu braço direito e os colocou em meus ombros. Apoiei minha cabeça em seu peito. Fechei meus olhos.

Acordei um pouco atordoada. O sol nascia, devia ser umas seis horas da manha.
— Bom dia, princesa. — Joe disse em tom sarcástico.
Apertei meus olhos.
— Onde Greyson está? — Perguntei.
— Seu namorado? Sinto em lhe informar, mas ele se foi, eu lamento...
— O que?! — Gritei, entrando em pânico.
— Deixa de ser besta, Joe. — Tom disse. — Ellen, Greyson foi com Brendan andar pelo território, para ver se é seguro continuar.
Suspirei aliviada.
Não demorou muito e os dois voltaram. Fiquei feliz em vê-lo, realmente feliz.
— Vamos. — Brendan disse. — Só temos que andar mais uns 300 quilômetros.
— Só 300 quilômetros. — Repeti para mim mesma.
Descemos da colina. Agora com armas posicionadas nas mãos, mochila nas costas. Eu estava descabelada, com manchas escuras embaixo dos olhos. Por dois minutos nos espalhamos na floresta para fazermos nossas ‘necessidades humanas’.
O dia prometia ser longo.
O dia todo andando. Calados. Não comíamos desde que saímos do paredão. A cada movimento, a cada barulho estranho, entrávamos em formação de ataque, mas era sempre árvores podres caindo ou barrancos desmoronando em rios poluídos.

Era quase meio dia, o sol nos castigava. Enquanto andávamos Joe começou a revirar sua mochila.
— Comam. — Joe nos jogou barras de cereais.
Fiquei perplexa por ele ter me dado uma, mas com certeza foi por obrigação ou ele teria que me carregar desmaiada.
— Você tem barras de cereais na bolsa e só nos da agora?! — Marth falou inconformado.
— Eu tenho que racionar, tenho poucas barras, então vamos comer uma por dia, levando em conta que ficaremos não mais que 5 dias aqui. — Ele respondeu colocando a mochila de volta nas costas.
— Eu não contaria com isso. — Murmurou Greyson.
— Por quê?
— Temos mais 200 quilômetros para andar. Isso se não morrermos antes.
— Hm, morrer não, talvez virar zumbi. Morrer seria na melhor das hipóteses. — Joe disse com um sorriso melancólico no rosto.
— Vocês são muito otimistas. — Ironizei.
Apesar das brigas, discussões e desentendimentos, tentávamos deixar nossas diferenças de lado por uma causa maior, sobreviver.
— Bom. Então plano é sobreviver de barra de cereal e água com gosto de urina de elefante? — Greyson perguntou.
— Basicamente, já que alguém perdeu a mochila de comida. — Joe respondeu.
— Espera, você conhece o gosto de urina de elefante? — Tom perguntou.
Greyson não se deu ao trabalho de responder.

O dia se passou. E outro, e outro. Sobrevivendo de água de nascentes, barras de cereais amassadas e dormindo em colinas. O tempo todo fiquei me perguntando por que tinham que colocar o muro que nos protegia tão longe da cidade, que é onde os zumbis se concentram, mas eu sabia a resposta. Quanto mais longe, melhor.
Tudo começou a ficar cansativo. Não sentíamos mais as pernas. O sol começava a afetar de uma maneira assustadora a pele branca do Tom, a noite ele se contorcia de dor. Eu o ouvia chorar nas madrugadas, dizia que parecia que seu rosto e sua costa pegavam fogo, mas ninguém podia fazer nada.
Depois do primeiro ataque de um zumbi, nenhum outro animal fora de controle ou com olhos amarelos e pupilas dilatas querendo comer nossas tripas apareceu. Ou talvez, eu tenha descoberto isso um pouco cedo de mais...
Tarde do quarto dia, estávamos fazendo a nossa única tarefa, andar. Eu ouvia Tom choramingando ou algumas lágrimas descendo de seu rosto, o sol estava o castigando de uma forma muito dolorosa.
— Joe, nessa sua mochila enorme não tem nenhum protetor solar ou algum hidratante para ajudar Tom? — Perguntei a ele.
Ele tirou a mochila das costas.
— Hm, deixe-me ver... — ele abriu o zíper da bolsa. — Olha princesa, aqui só tem um pônei, três unicórnios, a varinha das varinhas e um sabre de luz. Vai querer algo?
Revirei os olhos.
— Eu estou bem, Ellen. — Tom choramingou para mim. — Não se preocupe.
— Não está não, você... — fui interrompida.
— Escutem! — Disse Jon.
— O que? O que foi? — Brendan perguntou.
— Olhem! — Greyson gritou apontando para frente.
Eram criaturas do tamanho de elefantes, correndo em nossa direção a uns 4 quilômetros na nossa frente. Eles se aproximavam rápido, havia ao menos uns 50 deles.
— Zumbis? — Gritei
— Não. — Joe respondeu sem tirar os olhos das criaturas, como se estivesse atordoado com o que via.
— Rinocerontes? — Greyson sugeriu.
— Não. Rinocerontes Zumbis. — Jon disse.
— Eu sugiro correr. — Brendan disse com a voz trêmula.
— É. Com certeza. Corram!
Ao lado havia uma vegetação intensa, uma pequena floresta. Entramos desesperados mata adentro. Pude ouvir as patas pesadas trotando em uma marcha assustadora em nossa direção, quebrando galhos, derrubando arvores, e seus urros de fome e ódio. Eu estava mais concentrada em correr do que sentir medo. Dessa vez, tentei, da maneira possível, não me perder dos outros. Pensei na arma, mas para animais daquele tamanho, nem mesmo 15 tiros os afetariam.
— As árvores! Subam nas arvores! Agora! — Joe ordenou, mas o mesmo, não fez o que nos mandou fazer, ele continuou correndo.
— Aonde você vai? — Gritei para ele.
— despistá-los! — Pude ouvi-lo de longe.
Greyson me ajudou a subir em uma árvore alta, com tronco grosso cheio de musgo, o mesmo subiu comigo na mesma árvore. Os outros quatro fizeram o mesmo, cada um em uma árvore.
Os rinocerontes passaram reto, não nos viram. Tinham olhos vermelhos, pele podre, cheiravam rato morto.
Quando o último deles se perdeu dentre as árvores, pude lembrar-me do Joe.
— Joe! — Disse a Greyson.
— Vamos. — Disse ele pulando da árvore e me ajudando descer.
Os outros fizeram o mesmo.
Corremos na direção em que ele seguiu, logo achamos a mochila dele no chão e logo depois, sua arma. Seguindo a trilha que ele deixará com seus fortes passos, demos de cara com um abismo.
— Meu Deus! — Gritei.
 — Vocês acham que ele... Caiu? — Tom perguntou em pânico.
— Ei!! — Uma voz gritou, logo à frente, no abismo. — Estou aqui!!
Logo uma mão apareceu, e a outra, era Joe. Provavelmente na fuga, ele não percebeu o abismo e caiu. Por sorte ele conseguiu se segurar em uma raiz.
— Eu estou indo! — Gritou Jon se aproximando.
— Não! — Joe berrou em desespero. — Olhem!
A rocha que suportava o peso do Joe no abismo estava cedendo, mais alguns minutos e ia desmoronar e cair. Assim, se o peso de Joe já iria fazer a rocha cair, com um homem a mais só iria acelerar o processo.
— Vai desabar! Não cheguem perto! — Ele se segurou mais forte nas raízes.
— Ai droga! Vou procurar algo para te puxar! — Tom disse entrando de volta na mata.
— Não temos tempo! — Greyson começou a se preocupar. — Essa rocha vai ceder!!

Em meio a pânico, tive uma idéia maluca, não poderíamos perder nosso líder...

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