sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 11

Brendan vai embora em um saco plástico
No sofá eu tive um sono leve, Greyson ficou no chão e os outros se espalharam pela sala. Quando de repente ouvi barulhos vindos da cozinha, me sentei no sofá em pânico e percebi os outros acordados pedindo silêncio com o dedo.
Joe com os olhos arregalados sussurrou:
— Onde está Brendan?
Olhei a volta, ele não estava na sala, senti um nó de se formar em meu estômago.
Levantamo-nos de vagar, os sons na cozinha só aumentavam, Jon chutou a porta da cozinha e lá estava Brendan, com a boca cheia, parado na frente da geladeira.
— O que você esta fazendo seu idiota?! — Gritou Joe
— Está comendo? — Tom perguntou.
— Desculpa gente, eu não resisti. — Brendan engoliu o que estava na boca. — Querem um pouco?
— Você não tem noção do que acabou de fazer, você... A quanto tempo esta comendo?
— Uns 30 minutos. — Respondeu sem dar muita importância. — Fiquei com muita fome e...
Ele parou de falar repentinamente, sua expressão sumiu do rosto, empalideceu de olhos arregalados.
— O-o que f-foi que eu fiz... — Ele disse com esforço, como se doesse para falar.
Imediatamente seus joelhos cederam, ele caiu no chão, ofegante.
— Isso vai ficar feio. — Greyson disse perplexo.
— Se afastem. — Marth recomendou.
Brendan começou a tremer, com se estivesse sendo eletrocutado, logo em seguida começou a se contorcer no chão, seus olhos mudaram de cor, ficaram castanhos esverdeados, uma espuma branca começou a sair pela sua boca. Ele parecia estar sentindo uma dor insuportável, porém não tinha nenhuma expressão e não emitia nenhum som. Foi a pior cena da minha vida, eu tinha, naquele momento, certeza de isso me faria ter pesadelos pelo resto de minha vida. Ninguém se movia ou piscava, meus joelhos ameaçaram ceder, mas aguentei.
— A-Atire... — Joe sussurrou para Tom, o único com arma ali. — N-Na cabeça...
— Mas é o Brendan... — Tom saiu de uma espécie de transe e respondeu.
— Brendan está morto.  Aquilo não é o Brendan.
Os dedos de Tom tremiam no gatilho, mas ele, nem ninguém, conseguia mover nenhum músculo.
‘Brendan’ de repente parou. Levantou-se, abriu a boca cheia de espuma branca e soltou um rugido alto suficiente para ser escutado a 10 quilômetros dali, um rugido que mais parecia um leão misturado com elefante.
— Atire!! — Joe berrou quase mais alto que a criatura.
Greyson se jogou na minha frente, querendo me proteger.
— Tom!! Atire!! — Ele berrou novamente.
Tom não se movia, parecia mais assustado que eu. A criatura avançou, num movimento rápido e brusco, Joe tirou a arma da mão de Tom e atirou. Três tiros certeiros na testa. ‘Brendan’ caiu de costas jorrando sangue pela cozinha toda.
Jon e Marth nos empurraram para fora da cozinha.
Sentei no sofá e desabei em lágrimas.
— O que foi isso? — Tom perguntou com uma voz fraca, ele estava mais branco que papel.
— Ele comeu comida infectada, logo... — Marth respondeu, mas sabíamos a resposta.
— Foi tudo culpa minha. — Consegui falar em meio a soluços.
Joe e os outros andavam pela sala de um lado para o outro.
— Não, querida, não foi. — Tom se aproximou colocando a mão sobre meus ombros.
— Foi sim, se eu não tivesse perdido a mochila, Brendan não estaria com tanta fome a ponto de comer comida infectada. — Senti vergonha.
— Não, não você...
 — Deixe comigo. — Greyson sussurrou para Tom. — Eu cuido dela.
— Eu só estava...
— Eu sei.
Tom se levantou do sofá e Greyson sentou. Ele colocou seus braços em volta dos meus ombros.
— Vai ficar tudo bem. — Ele sussurrou. — Eu prometo.
Um silêncio mortal prevaleceu na sala. Só podia se ouvir os nervosos passos de Joe andando de um lado para o outro.
— Vou ir embora. — Marth disse. — Dar meia volta. Preciso levar o corpo de Brendan de volta aos pais. É o mínimo que ele merece.
— Tudo bem. — Joe concordou.
Pensei que Joe fosse discutir, afinal, passamos dias andando, com medo, com fome, para no final, Marth desistir assim tão fácil. Estava na cara que o Marth estava com medo e o usou a morte de Brendan a seu favor.
— Vocês deviam fazer o mesmo. Eu termino isso. — Joe encorajou-se
— Até parece. — Tom tentou se mostrar mais confiante do que parecia.
— Vocês têm que voltar.
— Você não vai conseguir sozinho, Joe. — Greyson disse calmamente.
—Sendo assim, temos que ir agora. — Joe colocou a mochila nas costas.
— O que? Não. Estamos cansados e com fome. Não vamos conseguir. — Conseguir dizer em meio a soluços, aquela cena realmente me traumatizou. — Ainda está escuro, tudo favorece os zumbis.
— Vocês não vêem?! — Gritou Joe. — Eles estão vindo! Brendan grunhiu, chamou os outros, eles sentem cheiro de sangue, seremos encurralados aqui!
— Ele tem razão. — Jon se levantou.
Não discutimos mais. Marth amarrou Brendan em um saco plástico preto, e o arrastaria de volta ao paredão.
Carregamos as armas. Bebemos as últimas gotas de água, e nos preparamos.
Saímos da fazenda abandonada, fomos para um lado, e Marth e o que restou de Brendan do outro. Vimos novamente lá embaixo a cidade as escuras. Podia sentir o cheiro podre. Descemos a colina e logo a nossa frente, uns 40 ou 50 zumbis famintos nos aguardavam. Joe somente murmurou:
— Começou.


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