Eu salvo
o líder
Joguei a mochila e a arma no chão,
tirei todo o peso do meu corpo.
— O que você ta fazendo?! — Greyson
perguntou.
— Vou salvá-lo.
— Não! Não pode! Você não vai fazer
isso comigo! Ellen, não chegue perto do abismo! — Ele segurou meu braço.
— Sou mais leve que qualquer um aqui!
É a única chance do Joe! — Gritei. — Confie em mim.
— Você não vai conseguir!
— Tenho que tentar.
Ele me olhou nos olhos. Soltou-me. Eu
olhei para frente e caminhei até a ponta. Abaixei-me. A rocha tremia. Olhei
para baixo, lá estava ele, segurando uma raiz que saia da terra.
— Segure a minha mão!
— Você ta ficando maluca?!
— Sim.
Mesmo inseguro ele segurou a minha
mão e eu consegui o arrastar para acima. Assim que nos afastamos da rocha ela
despencou.
Desabamos no chão, exausto. Todos
estavam paralisados nos olhando ali no chão. Eles haviam acabo de testemunhar
uma garota salvando o líder da queda em abismo.
Greyson logo se aproximou, me
ajudando a levantar. Pálido, com o coração disparado.
Joe se levantou, se apoiou em suas
pernas, tentou controlar sua desesperada respiração.
— Obrigado. — Ele sussurrou olhando
em meus olhos.
Foi a primeira vez que ouvi algo do
Joe que não seja em tom sarcástico, irônico, mandão ou superior. Eu podia estar
louca, mas eu consegui reconhecer um meio sorriso em seu rosto.
— Eles me seguiram. — Joe recuperou o
fôlego. — Mas eram muito rápidos, corri mais do que pude e não vi esse abismo
gigante. O resto vocês sabem.
— Eu achei!! Vejam!! Eu consegui! —
Uma voz gritou atrás de nós.
Era Tom, com cipós de arvores na mão.
Ele disse que buscaria algo para puxar Joe, e trouxe.
— Ah, vocês já conseguiram. — Abaixou
a cabeça decepcionado.
— Obrigado, nós vamos precisar disso.
— Joe disse apontando para o cipó.
Tom deixou o queixo cair, Joe também
nunca disse nada parecido com ‘obrigado’ a ele.
— Vamos. – Disse o líder.
Fiquei orgulhosa, eu o salvei.
Finalmente sorri depois de 4 dias no inferno.
— Vamos parar para descansar. — Joe
concluiu. — Ali.
Andamos em direção a algumas rochas. Alojamo-nos
nelas. Adormeci feito uma pedra.
— Ei, acorde. — Alguém me acordou me
cutucando aos sussurros.
Abri meus olhos com dificuldade, logo
percebi que era Joe, ajoelhado ao meu lado.
— O que aconteceu? — Perguntei
assustada.
— Venha comigo.
— Pra onde?
— Ellen, pegue sua arma e venha.
Obedeci. Levantei ainda um pouco
atordoada pelo sono. Todos estavam dormindo, eu o segui, dando de cara com um
campo aberto.
— Escute, — Ele começou. — Você
salvou minha vida e em recompensa vou ensinar você atirar.
Eu queria dizer que eu não precisava
da ajuda dele, mas eu não sabia atirar, então só assenti com a cabeça.
Ele me ensinou a atirar, a carregar a
arma, a usá-la para abater em algo, a mirar, tudo que eu devia saber. Quando
terminamos, voltamos aos outros, eles ainda dormiam.
— Levantem. — Joe disse chutando de
leve a perna de cada um.
Eles levantaram.
— Estamos bem perto agora. — Jon
disse estralando as costas.
— Só mais um dia caminhando e
chegamos. — Brendan falou.
— Seus olhos estão vermelhos. — Tom
disse olhando para o Greyson.
Levantei meus olhos a ele.
— Grey, seus olhos estão vermelhos. —
Disse a ele.
— Não é nada... É... Eu só... Deve
ser o sono... — Ele respondeu um pouco nervoso.
Seguimos em frente, caminhamos o dia
todo. A boa noticia? Estamos chegando. A má noticia? As barras de cereais
acabaram.
Nós estávamos esgotados, sobreviver
de água com gosto de terra e barra de cereais enjoativas não é para qualquer
um. E aguentar Tom cantarolando enquanto andávamos não melhorava muito.
— Escute Tom... — Greyson colocou a
mão no ouvido. — O que você ouve?
Tom parou um momento e se concentrou
no barulho do ambiente.
— Nada. — Ele concluiu.
— Então, isso é o que vai sobrar de
você se não parar de cantar no meu ouvido. — Grey disse calmo.
Todos riram, inclusive Tom.
Continuamos andando em silêncio, sem
dizer nenhuma palavra, nenhum som, nem a voz desafinada de Tom, a tarde toda.
— Eu te vi saindo hoje cedo com o
Joe... — Greyson murmurou para mim.
— Ah, ele tinha me chamado por que...
— Não Ellen, você não me deve satisfações.
— Mas Greyson...
— Não.
— Ele ia me ensinar a atirar!
— Engraçado, não ouvi nenhum tiro.
— Ele não me deixou atirar de
verdade, ele não ia desperdiçar bala, Greyson você...
— Sabe o que eu acho? Acho que você
arriscou sua vida para salva-lo do abismo por que você sente algo por ele, e
ele descobriu isso e resolveu corresponder...
— Mas isso é um absurdo! Grey, eu
nunca...
— Ellen, eu sei o que você foi fazer
com ele...
— O que?! Greyson, você não sabe o
que está... — Eu parei para olhá-lo. — Espera. Seus olhos estavam vermelhos,
você estava chorando?
Ele forçou um sorriso e saiu andando
mais rápido na minha frente, ele não queria falar comigo, mas eu não entendia o
por que.
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