sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 10

‘Você não vai falhar’
No Kit não havia luvas, o que dificultou nosso trabalho, enquanto enfaixávamos a cabeça do Tom, o resto do grupo nos olhava boquiabertos. Depois de alguns minutos ele acordou tonto.
—Ai. — Tom levantou a mão á cabeça. —O que aconteceu?
Tom sentou no chão eu e Greyson nos olhamos a sabíamos o que dizer.
—Você escorregou e bateu a cabeça, nós só a enfaixamos. —Grey começou.
— O que?! Sem luvas nem nada?! Ah droga gente, você precisam saber de uma coisa, Hã, eu...
— Nós sabemos Tom, a decisão foi de todos, todos concordaram em fazer isso. — Menti. — Você está bem agora, é que importa. Você faria o mesmo se fosse com qualquer um de nós.
Lancei um olhar a Joe.
— Ah, gente, vocês salvaram minha vida e colocaram suas saúdes em risco, todos vocês, vou me lembrar disso para sempre, obrigado mesmo. — Tom se emocionou.
Minha intenção não era causar culpa nos outros, mas puder perceber vergonha nos olhos de todos os quatro, principalmente na de Joe. Ok, talvez eu quisesse mesmo que Joe e os outros se sentissem culpados, eu nunca os perdoaria se algo acontecesse com Tom.
 Descansamos ali uma hora, depois seguimos andando. Me esqueci completamente das mangas, mas eu havia perdido a fome.
 Continuamos andando o dia todo.
Chegamos ao topo de uma subida, de lá de cima, conseguimos ver a tão esperada cidade, como pequenas casinhas logo abaixo. A tão esperada cidade de Nova York.
— Alí. — Marth apontou. — A universidade de química, lá na frente, onde o cientista Wilbert Smith criou o vírus e a cura. O vírus se espalhou, mas a cura permaneceu lá.
— Onde eles estão? — perguntei.
— Bom, parece que eles gostam mais da noite. — Brendan concluiu.
— Ta escurecendo. — Jon falou olhando para cima.
— Alguma ideia? — Joe perguntou a mim.
Ele era o líder, ele decidia o que fazer. Fiquei surpresa por ele perguntar algo a mim.
— Ah... — Falei olhando em volta. — Olhem ali, aquela fazenda, parece desabitada há décadas, podemos ficar lá essa noite, e depois no outro dia, nos prepararmos para avançar.
— Ótima ideia. — Greyson disse.
— Então vamos. — Marth concluiu.
Aproximamo-nos. Havia um pequeno muro envolto da fazenda que pulamos com facilidade. Não era grande, pude perceber no Maximo uns 3 quartos, o que fascinava era o jardim da frente, enorme. Assim que nos aproximamos da varanda Greyson disse a mim:
— Fique aqui.
— Por quê? — Estranhei.
— Pode ter algo lá dentro.
— Mas...
— Tom fique com ela. — Ele me interrompeu. — Só entre com o meu sinal.
— ótima ideia, sem problema. — Tom disse com a voz tremula, aliviado por não ser o primeiro a entrar na casa.
Joe chutou a porta, ela se abriu sem grandes dificuldades. Eles ficaram algum tempo rondando dentro e fora da casa, mas por fim nos chamaram.
— Vamos ficar todos reunidos aqui na sala. Sem ir para outros cômodos, sem sair andando sozinho por ai. Agora estamos na zona deles, uma falha vocês já sabem... — Joe explicou.
Todos assentiram.
Joguei a mochila no sofá e desabei nele.
— Estou com fome. — Tom resmungou.
— Joe, estamos há dois dias sem comer. — Greyson falou.
Não era culpa do Joe, ele não podia fazer nada, apenas teríamos que aprender a lidar com a fome.
Tom se jogou no sofá, ele suava frio. Suas queimaduras em sua pele branca estavam cada vez piores e a faixa do ferimento na cabeça não ajudava, eu mal podia imaginar a dor que ele sentia. Jon tirou algumas velas da mochila e colocou sobre a mesinha de centro da sala e como já era noite, aquilo era a única coisa que nos iluminava.
Sentei-me no chão, logo a frente das velas ao lado de Greyson. Os outros fizeram o mesmo. Estavam cansados, mas não estavam com sono.
— Por que vocês acham que Coronel Jordan enviou soldados jovens e pouco experientes em uma missão tão importante? — Tom puxou assuntou tentando ignorar suas costas em ‘chamas’.
— Eles já tentaram de tudo. — Brendan respondeu. — Mandaram um batalhão com mais de mil homens, todos morreram. Mandaram poucos homens com uma tecnologia extremamente avançada, todos morreram. Mandaram soldados com armas nucleares e todos morreram. Morreram que eu digo é ser infectado pelo vírus, ninguém morre realmente.
— Então eles simplesmente acharam que sete adolescentes inexperientes fossem melhores que mil homens com armas nucleares? — Greyson indignou-se.
— Vocês não entendem? Eles estão desesperados! Estão mais de 50 anos presos lá. — Joe entrou na conversa. — Além de tudo, eles não querem matar os infectados, eles querem salvá-los, sair atirando com bombas só faria extinguir todos eles, sobrando apenas nós do paredão. Eles estão tentando de tudo, eles arriscaram a sorte e nos mandaram aqui.
— Então somos como ratos de laboratórios sendo testados? — Perguntei.
— Basicamente.
— Vou ao... Hã, aquilo é um banheiro néh? —Brendan se levantou olhando para uma porta.
Joe respondeu com a cabeça afirmativamente.
— Hã e então, vamos contar histórias de terror como nos filmes?— Tom sugeriu. —E depois vamos ouvir barulhos no porão, ir até lá e descobrir que essa fazenda é mal assombrada ou que é somente um esquilo raivoso?
—Um esquilo raivoso. — Marth repetiu.
— Sim, esquilos raivosos são demais. — Tom sorriu.  — Uma vez meu cachorro pegou raiva e mordeu meu esquilo, então ele se tornou, bem, raivoso e foi embora de casa.
— Você tinha um esquilo? — Jon perguntou.
— Esquilos podem contrair raiva? — Marth também perguntou.
— Não sei, foi o que minha mãe disse. — Tom respondeu.
— Talvez seu esquilo morreu e sua mãe disse que ele fugiu pra te poupar de saber disso. — Joe concluiu.
— O que? Não, meu cachorro não é um assassino, depois que o levamos a meu ‘vizinho’ veterinário ele voltou a ficar bonzinho. — Tom respondeu tentando se convencer.
— Se está dizendo...
— Mas, voltando ao assunto, Joe, o que me diz sobre histórias de terror?
— Acho melhor descansar. Amanha vamos fazer o que viemos fazer e... — Um barulho o interrompeu. — O que foi isso?
Nos entreolhamos. No mesmo instante ouvimos mais barulhos vindos da cozinha, num movimento rápido pegamos as armas e fomos até a cozinha, assim que entramos demos de cara com Brendan fuçando a velha geladeira. Abaixamos o armamento.
— Comida! — Brendan exclamou! — Em perfeito estado!
— Você ta ficando louco? — Greyson gritou!
— Vejam! Essa casa deve estar abandonada a mais de 50 anos e a comida permaneceu intacta!
— É sua anta! Lembra aquele zumbi que nós matamos no primeiro dia? Ele parecia em decomposição? Parecia um velinho de noventa anos? O vírus para o processo natural de envelhecimento!! — Joe gritou o mais forte que pode
— Se eu comer, eu poderei ser contaminado?
— Sim.
Ele fechou a geladeira, com a cabeça baixa, envergonhado, ainda estava ainda segurando uma fatia perfeita de presunto.
— Sabemos que é difícil. — Me aproximei dele tirando a fatia de sua mão.
Ele voltou para a sala ainda com a cabeça baixa.
— Vamos dormir. — Suplicou Jon
Todos concordaram.
Somente eu e Greyson ficamos acordados, sentados no chão em silêncio.
— Greyson... — Sussurrei a ele para não acordar os outros.
— Sim.
— Como sua mãe morreu?
Ele suspirou. Soltou um olhar triste.
— Bem, — Ele disse depois de alguns minutos em silêncio. — Ela não está morta...
— Como assim? — Estranhei.
— Veja Ellen, 17 anos atrás minha mãe estava grávida, estava esperando um filho, eu. E nesse período foi organizada a primeira busca fora do paredão. Tudo corria como planejado, todos reunidos no portão principal, mas ao abrir os portões, fomos surpreendidos pelos ‘mortos vivos’ a nossa espera.
Ele dizia com a voz tremula.
— Então, — Ele continuou. — Eles entraram. Por minha mãe estar grávida, ela não conseguiu correr, um zumbi pegou-a e arranhou profundamente seu braço, e quando o zumbi foi terminar o que começou meu pai atirou na cabeça dele. Mas já era tarde, minha mãe estava infectada, fizeram o parto as pressas, conseguiram me tirar livre do vírus. Meu pai ficou desesperado, ele recebeu ordens para mirar no cérebro de ‘minha mãe’ e atirar, porém ele não conseguiu, ele falhou, então, soltou-a para fora.
 Eu fiquei perplexa, minha voz não saía.
— Grey... Eu...
— Agora ela esta lá fora. E se eu der de cara com ela e... Falhar?
— Você não chegou a conhecê-la. Como vai reconhecer?
— Olhe. — Ele puxou um colar da gola da camisa. — Minha mãe tem um desse. Ela ia me dar esse que eu uso — que é igual o dela — quando eu nascesse. Ela usava quando foi infectada pelo vírus e ela deve estar usando agora.
— Você não vai falhar.
— Sim, eu vou.


Deitei no sofá, mas antes de adormecer pude ouvir um pedido de desculpa, um sussurro, dizendo que sentia muito por ter discutido comigo mais cedo por causa de Joe e pediu desculpas mais uma vez por ter quase deixado Tom morrer... Greyson sussurrou no meu ouvido ‘Me perdoe, querida’.

Nenhum comentário:

Postar um comentário