Termino o
que havia começado
Eu tinha que sair dali, me virei e
andei em direção ao velho, revirei seus bolsos e encontrei uma chave, uma chave
de carro, me aproximei da janela da frente e por uma fresta apertei o botão do
alarme na chave, logo a frente um carro vermelho piscou luzes, eu estava salva,
eu só precisava chegar lá....
Eu estava prestes a arrombar a porta da frente
quando um arrepio passou pela minha espinha. Greyson. Eu não poderia deixá-lo
ali, eu tinha que levá-lo de volta.
Coloquei as chaves no bolso, com dificuldade
peguei o corpo do Greyson e coloquei em minhas costas, não aguentei, meus joelhos
cederam e eu caí no chão. Não foi seu peso que eu não suportei, foi a dor, a
ideia de que eu nunca mais o veria, que eu nunca mais o veria sorrir, que eu o
carregava sem vida em minhas costas. Mas era o mínimo que eu poderia fazer, me
levantei e chutei a porta, lá fora o que eu vi foi ainda mais assustador...
100, Talvez 200 lá fora, famintos, me olhando,
me observando, me encarando...
Zumbis não enxergam, sentem o cheiro, e no
momento, com Greyson na minha costa, eles não reconheceram o meu, eles só sentiam
o cheiro do Greyson e isso definitivamente salvou minha vida.
Eu caminhei entre eles enquanto alguns
entravam no laboratório em busca de comida, era como se eu não estivesse ali,
era como se eu fosse um deles. Peguei a chave do bolso e abri a porta do banco
de passageiro e coloquei Greyson lá. Me sentei do outro lado e dei partida no
carro, eu não sabia dirigir muito bem, mas lembro que uma vez, eu e Greyson
‘pegamos emprestado’ o carro do pai dele e ele me ensinou alguns fundamentos
básicos, a lembrança escorreu pelos meus olhos.
Dirigi de volta, parecia menos cansativo de carro. Não ousei olhar para
o banco ao lado. Eu estava há três dias sem comer, no colégio do paredão, nós
éramos acostumados com isso, mas agora, comecei a sentir dor de cabeça, e o sol
da manhã constantemente em meu rosto, não ajudou.
No horizonte, vi algo que me fez parar o
carro, desci correndo e me aproximei. Tinha algo no chão, e quando pude
reconhecer o que era dei um pula para trás, só conseguir dizer:
— Eles não conseguiram...
Marth e Brendan caídos no chão,
provavelmente, Marth foi morto por zumbis, eles não conseguiram retornar...
Eu não podia fazer nada, voltei para o carro e
segui o caminho.
De longe vi o paredão se aproximando, um ódio
começou a tomar conta de mim, atirei a minha faca para fora do vidro, ou eu
faria algo por impulso com ela que me arrependeria depois, parei o carro nos
portões e logo guardas armado apontaram suas armas.
— Tem algum infectado!? — Um deles
gritou.
— Abaixe essa merda seu filho da mãe,
você sabe quem eu sou?! — Berrei ao sair do carro.
Eles se entreolharam assustados.
— Quem é aquele no carro?! Se quiser
entrar vai ter que se livrar dele! — Outro gritou.
— Ele está morto seus miseráveis,
abram logo a porcaria dos portões!! — Gritei perdendo a paciência.
Eles se entreolharam novamente,
começaram a cochichar entre si, indecisos. Tirei da mochila o frasco com o
líquido verde. Eles reconheceram e imediatamente abriram os portões. Voltei ao
carro e entrei do lugar que eu rezava nunca ter saído.
Logo na entrada vi Coronel Jordan, tinha uma
expressão triste, cansada, aflita, quando ele me viu, não conseguiu conter um
sorriso. O mesmo correu ao meu encontro.
— Espero que esteja satisfeito. —
Entreguei a ele o frasco.
— Onde estão os outros?
— Os outros? — Forcei uma risada. — Estão
mortos!
Olhei ao redor, as pessoas me
encaravam.
— Todos eles estão mortos!! — Gritei
para todos ali presentes ouvirem. — Espero que estejam felizes seus nojentos!!
Sacrifiquei minha vida, matei meu amigo, a mãe dele e vi um velho morrer e
outros amigos morrerem! Viva!! Vocês estão livres!! Comemorem!
Dei as costas ao Coronel e desabei
desacordada no chão.
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