O grande
portão de ferro se abriu
— O que aconteceu? — Repetiu ele.
— Eu fui falar com o Coronel
Jordan...
— Sobre...?
— Por que ele tinha me chamado...
E... Eu fui convocada também... — menti, descaradamente
— O que?! Não! Você tem 16! Não
pode!!
— Ele é o Jordan, Greyson, pode fazer
o que bem entender...
— Mas por que ele te mandaria junto?!
— Não sei... — Menti — Ele
simplesmente me mandou junto. Talvez ele quisesse uma mulher junto na equipe e
escolheu a mim por que acha que eu herdei algo do meu pai, o melhor comandante
que ele tem...
— Uma mulher!? Ellen você é uma
garota! Uma menina! Não sabe se defender! Eu te ajudo em todas as aulas teóricas
e de combate! Ellen, você não pode ir lá fora!
Eu ficaria ofendida, mas ele estava
certo, nunca consegui manusear uma arma, não sabia como lançar uma granada,
nunca entendi como desarmar uma bomba, não conseguia correr sem quase morrer
com falta de ar, nunca consegui fazer nada desse tipo, e eu estava escondendo
dele o motivo da ideia do Coronel me enviar na equipe, então apenas abaixei
meus olhos.
— Desculpa. — Disse ele.
Fiquei em silêncio.
— Tenho que ir. Preparar-me pelo que
me aguarda, sabe, lá fora...
Ele não disse nada. Dei as costas á
ele e sai.
Os dois dias se passaram, não fui a
nenhuma das aulas, fiquei 48 horas deitada em minha cama, somente esperando,
vendo as horas passarem, fiquei imaginando, como deveria ser lá fora? Eu nunca
saí, nunca vi o sol nascer, nunca avistei a linha do horizonte... O medo me
fazia ter arrepios.
Qualquer pessoa inteligente usaria
esse dias de folga para treinar e melhorar o condicionamento físico, mas, bem,
eu não sou uma pessoa muito inteligente.
Não tive o trabalho de contar aos
meus pais, o Coronel se encarregou de fazer isso, eles sentiram orgulho, diziam
que se fui selecionada para sair em busca da cura é por que tenho capacidade,
mal sabiam eles que eu era somente uma forma de manter Greyson vivo para
terminar sua missão com sucesso. Eu era um objeto, eu faria Grey ter forças
para continuar, para me proteger...
Um dia antes fui, a ‘pedido’ do
Coronel tomar vacinas, algumas contra doenças, outras que impediam a
contaminação do vírus pelo ar, outra que melhorava nossa imunidade, eu
particularmente acredito que essas vacinam servem apenas para que acreditemos
que estamos mais seguros, para nos passar mais confiança, se existissem mesmo
vacinas para imunidade por ainda não existem curas?
O dia chegou. 6h45, eu já estava de
pé, com um uniforme padrão, de camuflagem, uma mochila nas costas, e a cintura
cheia de armas de fogo e pacote de balas para as mesmas.
Fui para fora, percebi a agitação na
entrada do único portão do paredão, respirei fundo e caminhei até lá. Greyson
já estava lá com os outros. Todos jovens, 17 ou 18 anos, me encaram dos pés a
cabeça.
— Oi. — Eu disse.
— Oi. — Greyson respondeu sem me
encarar.
Nunca o vi mais triste, ou com medo,
certa mistura de sentimentos.
— Formação! — Gritou o Coronel
Jordan.
Logo entramos em fila, um ao lado do
outro. Havia apenas 5 soldados, além de mim e Greyson. Eu era a única garota.
— Estes soldados vão partir em uma
missão! — Começou o Coronel à toda a população protegida no paredão. — Eles
irão sair, buscar a cura para os que estão lá fora!
— Blá, blá, já sabemos disso. —
Greyson murmurou para mim.
— Selecionamos os melhores soldados,
com mais agilidade, e um raciocínio rápido, pois sabemos que não podemos lutar
contra aquelas coisas, mas podemos nos esconder, e passá-los a perna. — Jordan
prosseguiu.
— Descobriu isso sozinho? — murmurou
de novo.
— Greyson, cale a boca, ou ele te
tira da posição de soldado e te põem como isca. — murmurei de volta.
Ele se calou.
Coronel Jordan terminou seu discurso.
A população aplaudiu. Ele era o Hitler, a população eram os alemães, e nós
éramos os Judeus, indo para a câmara de gás. Era como me senti.
Enquanto soldados mais experientes se
posicionavam em forma de ataque para os portões serem abertos com segurança, eu
aproveitei para observar os outros 5 jovens, eu os conhecia de longe, Tom, Jon,
Marth, Brendan e Joe, estudavam comigo,
eram os melhores, alguns melhores com armas outros melhores com teorias e
estratégias, mas nunca falei com eles.
— O que você está fazendo aqui? –
Disse Joe com um olhar ameaçador.
— Pergunte ao Coronel.
— Escuta aqui garota, não estou com
brincadeira, o que você esta fazendo aqui?
Joe era 10 centímetros mais alto que
eu, um olhar frio, porte atlético, metido a líder, ele não gostou do fato de
uma garota estar junto a eles em uma missão, uma garota totalmente
despreparada.
— Foi ele quem me colocou aqui, seu
idiota.
— O que você disse? — Segurou forte
em meu braço.
— Ei, Ei, Ei, solta ela agora. — Greyson
se aproximou estreitando os olhos.
Ele me soltou.
— Ei gente, cheguem aqui... — Joe me
soltou e chamou os outros quatro. — Coronel Jordan colocou uma garota com a
gente.
Eles riram, menos Tom.
— Olha, é Ellen seu nome, não é?
Então, cuide da bolsa de suprimentos. — Ele jogou uma bolsa pesada, uns sete
quilos, provavelmente cheio de garrafas de água e lanches rápidos. — Prove que
é útil para alguma coisa.
— Você é um idiota. — Disse Greyson,
saindo de perto. Percebi que a vontade dele era de dar um soco em alguém.
— Não ligue para o Joe. — Tom se
aproximou. — Ah, caso não saiba, meu nome é Tom.
— Eu te conheço. — dei um meio
sorriso. —Não tenho medo do Joe, ele é um imbecil.
— Mas não diga isso perto dele, ele pode
nos salvar algum dia.
Ficamos em silêncio.
— Bom, eu sou o burro de carga,
Greyson é o besta que me salva das encrencas, Joe é imbecil metido a líder, Jon,
Marth e Brendan são os seguranças lesados do líder. E você? O que faz?
— Bom, acho que sou o retardado que
vai manter a sanidade do burro de carga perante as loucuras do imbecil metido a
líder. — Ele respondeu.
— Gostei de você. — Sorri.
Ele sorriu de volta.
Voltamos as nossas posições.
Em nossa frente, o grande portão de
ferro era aberto. O mundo começou a revelar-se...
— Boa sorte. — Greyson sussurrou para
mim.
— Vou precisar. — Sussurrei de volta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário