sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 6

Joe sendo Joe
— Não me assuste mais assim, ok?
— Não prometo nada.
— O que aconteceu? O que te fez esse machucado?
— Eu me perdi dos outros. Fiquei um tempo esperando alguém me achar, ou... alguma coisa me achar. Tom me achou, mas de inicio eu não sabia que era ele, então comecei a correr e cai. — Expliquei com calma. — Ai! Chega Greyson.
Eu tirei a mão dele da minha cabeça.
— Para de ser teimosa.
Ele terminou o curativo.
— Ok. — Joe se levantou. — Vamos fazer algumas observações.
Todos levantaram seus olhos a ele.
— Observação número 1, — Ele começou. — Apenas o líder da às ordens e eu sou o líder. EU. Tom, você deu as ordens para correr, se fizer isso de novo, arranco seus dentes.
Tom assentiu com a cabeça baixa, o que me revoltou.
— Não me lembro de ter votado em você para ser o líder. — Contestei.
— Votado? O que você pensa que isso é, princesa? Aqui não é política, o líder é o mais forte, mas velho e mais inteligente, logo, sou eu.
Não respondi.
— Continuando, observação número 2, em uma fuga, nunca, em hipótese alguma se isole, sigam ou se escondam com alguém. Vocês deviam saber disso.
 Joe direcionou os olhos a mim.
— E por fim, observação numero 3, vocês tem uma arma, ela serve pra atirar, não sejam tolos de hesitar a puxar o gatilho. A menos é claro, que seja tolo o suficiente a ponto de não saber atirar..
Ele novamente olhou para mim.
— Ok, Joe, se já terminou, o que vamos fazer agora? — Greyson se levantou impaciente.
— Acho que devíamos descansar para amanha andar o dia todo. Olhem ali. Naquela colina, bem no topo dela, vamos passar a noite lá, no topo temos uma visão mais ampla e nada vai nos pegar de surpresa. Vamos descansar bastante, já que temos 5 homens molengas e um ‘soldado’ ferido na cabeça. — Ele gesticulou as aspas com a mão.
— Eu to com fome, com sede, onde está a mochila de suprimento? — Marth reclamou.
— Ellen, eu me lembro de ter deixado a mochila em questão em sua segurança. — Ele me encarou fixamente, e depois levou o olhar para minhas costas — Onde ela está?
Minha barriga gelou. Todos me encaravam fixamente, eu podia sentir a cor deixando meu rosto.
— B-bem, na fuga, a mochila estava muito pesada e... — encarei o chão e diminui a voz, quase sussurrando. — Eu a soltei pra poder correr mais rápido...
Joe ficou roxo de raiva e todos o olhavam, pela sua expressão ele estava prestes a me dar um soco.
—Você o quê? — Perguntou entre dentes.
— Não seja tão duro com ela Joe, ela tinha que correr e entre o armamento e a mochila ela escolheu o armamento. Ela fez a escolha certa. — Jon me ajudou.
— É verdade, Joe. Ela salvou sua própria vida se livrando de 7 quilos nas costas. — Marth apoiou.
Brendan concordou com a cabeça.
— Ela perdeu a nossa comida, tudo que a gente precisava pra sobreviver ela perdeu, ela conseguiu perder e vocês estão ajudando ela?!— Ele suspirou fundo, tentando se acalmar. Ele estava com punhos cerrados. — Só... Vamos para a colina.
Andamos em silêncio. Fiquei com raiva de mim mesma por ter perdido a mochila, mas estava feliz, pois pelo que parecia todos haviam me aceitado na equipe, todos é claro, menos Joe.
—Assim fica difícil te ajudar, garota. ­— Greyson me disse sorrindo.
—Não preciso da sua ajuda. —Sorri de volta.
—Você precisa sim e você sabe.
Dei de ombros. Estávamos brincando, mas a verdade é que todos os dias eu me perguntava o que eu iria fazer sem ele.
Subimos a pequena colina e nos sentamos. O sol começou a se por. Cheguei à conclusão que a vida fora do grande muro, era ainda pior do que dentro.
Joe se levantou, pegou todas as garrafas de água reservas, porém vazias, que cada um levava na bolsa.
— Vou procurar água. —Disse saindo.
Brendan e Marth não largavam das armas. Jon ficava olhando para o ‘nada’. Tom estava ao meu lado, me enchendo, dizendo que eu não podia ficar nesse sol com um curativo na cabeça. Ele se tornou um bom amigo, se preocupava comigo. Mas alguma coisa me dizia que Greyson não simpatizava muito com ele.
­­– Ta doendo? A sua cabeça. Está doendo? — Tom perguntou a mim.
— Não. Está tudo bem. — Respondi.
— Tem certeza? Não está com vertigem?
— Não, Tom. É sério.
— Ah. É que teve uma vez que eu cai da escada da minha casa e bati minha... — Ele me encarou e viu meu desinteresse em sua história — Enfim, que bom que está tudo bem. 
— Tom, pare de enchê-la. — Greyson falou tranquilamente.
— É que diferente de você eu to preocupado com ela. — Tom respondeu, mas logo em seguida se arrependeu do que disse.
— Como é que é? — Greyson se levantou.
Tudo que nós menos precisávamos era de uma briga, mas as aparições de Joe com as garrafas da água os tranquilizaram.
 — Achei uma nascente logo ali em baixo. — Disse entregando as garrafas, uma para cada. — A nascente esta em movimento, não tem perigo de contaminação.
Ele entregou as garrafas, uma para cada, quando se virou a mim para entregar a minha, hesitou. Chegou mais próximo do meu rosto, quase seu nariz tocou o meu.
— Pra você é especial, princesa. — estendeu a mão, a garrafa estava vazia. — Procure sua própria água.
Soltei um sorriso forçado e murmurei um palavrão, tomei a garrafa da mão dele com força e sai.

Por que ele me odiava tanto? O que eu fiz para ele? Claro, além de me intrometer em sua equipe, ser um peso morto, perder a bolsa de suprimentos, minha alta inutilidade e outras coisas...
Ao sair pude ouvir Greyson sendo Greyson.
— Você é um ignorante, um imbecil, um total idiota. Isso que você é! — Greyson disse alto e claro. — Ellen me espera!
— Obrigado, companheiro! — Joe provocou. — Ah, e de nada pela a água!
Desci a colina correndo, logo ouvi barulho de água e segui, achei a nascente com facilidade.
—Ellen! — Greyson chamou
Fiz que não ouvi.
— Não fique andando sozinha.
Não respondi.
— Olhe para mim. Você esta chorando?
Eu fechei a garrafa, agora cheia de água. Virei. Não me contive e o abracei.
— Ellen o que está fazendo? — Greyson disse sem jeito.
— Desculpa.
Eu o soltei. Mas ele me puxou de volta.
— Ei. — Ele sussurrou. — Eu entendo.

Não precisava de palavras. Ele sentia o que eu sentia. Ele soube que meu estado emocional estava girando, sabia que diante da tanta pressão, eu só precisava de um abraço. Um só gesto de carinho. Desabei em lágrimas. 

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