sábado, 23 de novembro de 2013

Capitulo 12

Greyson conhece sua mãe
Minhas pernas tremeram. As mãos começavam a suar sobre o armamento. Ao lado eu via Tom mais pálido do que nunca visto antes, e Greyson me olhando como se estivesse se despedindo com os olhos.
— Plano A. — Joe começou quando estávamos no fim da colina. — Se escondam e rastejem como animais, não deixem que te vejam.
Todos assentiram.
— Não se isolem. Não fiquem sozinhos. Não pisquem. Não se dispersem. Não façam barulho. Entrem no laboratório, peguem o antídoto e saiam, nem que isso signifique deixar os outros morrerem. Não banquem o herói. Chegou a hora. — Joe concluiu.
 ...

Eles eram muitos, tinham quase dois metros, tinham um odor insuportável, eram velozes.
Nos esquivamos em um posto de combustível na entrada da cidade, passando por trás de tanques de álcool, nos escondendo atrás de carros abandonados cidade a dentro. Logo a frente, a uns 50 metros os zumbis ficavam perambulando, se chocando com paredes, tropeçando em valetas, encarando prédios abandonados, era agonizante vê-los vagando, eles foram um dia pessoas, tinham uma família, filhos, uma casa. Agora não passavam de defuntos caminhando sem rumo em busca de comida.
Quanto mais adentrávamos a cidade mais eles apareciam, 90, 100, eram muitos, ficava muito difícil de passar despercebido, então nos separamos. Jon, Tom e Brendan, e eu e Greyson.

Greyson e eu estávamos escondidos atrás de uma prédio abandonado e a 1 quilômetro a frente o laboratório, esperando um momento seguro para avançar.
— Escute Ellen. — Greyson sussurrou sem tirar os olhos do laboratório — Se eu não sair vivo dessa, quero te dizer uma coisa.
— O que?
— Eu...
Ele interrompeu-se. Alguma coisa estava vindo em nossa direção, o barulho de passos lentos e pesados, mirei a arma na direção do barulho. Logo a luz da lua revelou do que se tratava.
Era uma mulher, usava um vestido longo, sujo e ensanguentado, tinha cabelos longos, pretos e armados, uma pele pálida cheia de poeira, cheia de cortes, olhos claros, quase brancos com um tom avermelhado. Levava no pescoço um colar, o mesmo de Greyson.
— Mãe? — Greyson falou perplexo e boquiaberto.
— G-Grey, não é sua mãe, você sabe, ela... — Minha voz falhou.
— Não Ellen, é minha mãe, veja... — Ele olhava para a criatura sem se mover.
Não havia sombras de dúvidas, era a mãe de Greyson, tinha os mesmos olhos que ele e levava o tal colar, aparentava ter 25 anos, mas com uma pequena diferença, ela estava infectada com o vírus e queria comer nossas tripas, a prova disso eram os cortes no rosto, naquele lugar, qualquer corte, resulta na metamorfose.
Greyson levantou a mão e deu um passo a frente, ele queria tocá-la. A criatura não recuou nem demonstrou nenhuma expressão humana, ficou parada feito uma estátua.
— Greyson... Afaste-se. — Falei tentando parecer mais segura do que estava.
— Você não entende... É minha mãe... Ela voltou... Voltou pra mim... — Ele sussurrou dando outro passo a frente.
Aquela coisa o devorava com os olhos, Greyson não percebia que ele estava caminhando para o suicídio, eu não poderia deixar isso acontecer, mirei na testa da criatura e coloquei os dedos sobre o gatilho. Greyson virou se para mim apavorado, tirou a arma da minha mão e jogou longe.
— Você não vai matar a minha mãe! — Ele berrou ao atirar a arma longe.
— Aquilo não é a sua mãe! — Gritei de volta.
Mas o zumbi não ia ficar nos observando discutir e antes do Greyson me dar uma resposta aquilo o puxou e o atirou longe, Greyson caiu e bateu a cabeça no velho muro do prédio. Atordoado, Greyson não conseguiu se levantar e o zumbi avançou em direção ao Greyson. Corri e peguei a arma, quando me virei, as unhas do demônio já estavam cravadas no peito do Greyson, ele gritava com a dor, sem pensar duas vezes, atirei. O tiro foi certeiro, dois deles e o zumbi caiu para trás. Corri ao seu encontro.
— Grey, meu Deus. — Me ajoelhei em lágrimas ao seu lado.
— Aquilo não era minha mãe, não é? — Ele disse atordoado em meio ao sangue.
— Não querido, não era.
Seu peito sangrava muito, seu braço estava todo cortado e sua cabeça com um corte enorme que jorrava sangue.
— Você a matou...
— Me perdoe... — Comecei a soluçar. — Mas eu não tinha escolha, eu...
— Ellen, você a matou... — Deu um grande sorriso, fraco, porém sincero. — Matou um zumbi, você conseguiu. Você me salvou...
Ele me presenteou com um sorriso que fez tudo valer a pena, um sorriso que tocou lá no fundo. Eu poderia ficar o admirando para sempre.
— Você tem... Você tem que sair daqui. — Ele falou, agora com a voz falhando.
— Não vou te deixar aqui.
— Você não vê? Daqui a 15 minutos vou querer comer suas tripas! Ellen, eu estou infectado!
— Não! — Comecei a soluçar.
— Se eu tiver sorte, eu morrerei antes do vírus fazer efeito.
—Não, por favor...
— Saia! — Ele berrou.
Me levantei.
Ele começou a se contorcer, suas unhas rasgavam a terra, eu não queria ficar ali para assistir a dolorosa mutação, não havia nada a fazer. Me lembrei de Brendan e da atitude do Joe. Joe o matou, não poupou, eu deveria fazer o mesmo, atirar na cabeça, um zumbi a menos...
 Mas era óbvio, depois nada faria sentido, como eu iria continuar, matando a pessoa que eu mais... Que eu mais... Enfim, agora eu sabia o como foi difícil para Grey, eu entendi como Greyson não conseguiu matar sua ‘mãe’ mesmo estando infectada. Eu não queria pensar mais nesse assunto.
— Eu vou te salvar, vou pegar a cura, aguente firme. — Decidi à final.
— Ellen... — Ele me chamou ofegante. — Eu falhei.
— Ainda não.
Dizendo isso sai correndo. Eu não queria me esconder, não queria passar despercebida, só queria sair logo daquele inferno. Corri para o meio da multidão de zumbis que se formava na frente do laboratório e usei meu pavor, meu ódio, meu espanto e minha tristeza a meu favor. Comecei a atirar como uma louca, não mirava, nem olhava. Apenas saia correndo disparando balas e via zumbis caindo, atingidos.
Por um infeliz acaso, resolvi olhar a volta. Vi Tom no chão, caído. Logo na frente, Jon. E Joe logo em seguida. Todos mortos. Cada um com cinco ou seis demônios se alimentando.
Não me lembro exatamente do que aconteceu em seguida. Meu raciocínio ficou anestesiado, em volta vi tudo em câmera lenta. Lembro-me de ter usado toda minha velocidade. Esquivei de um. Acertei outro na cabeça com a parte de trás de minha arma. Passei por baixo de outro. Segui instintos que aprendi em anos de aulas práticas e teóricas, apesar de saber que nunca conseguiria entender tudo, não me sai tão ruim quanto imagina. 
 Em um segundo percebi que as balas acabaram. Foi o momento que tive mais pânico desde que sai da proteção do paredão. Comecei a tremer, meu sentidos voltaram, só o que pensei em fazer foi correr. Olhei para trás, eles me seguiam, correndo a toda velocidade eu não tinha mais chances, eu... Eu senti uma pancada no corpo todo que me fez cair para trás, eu tinha trombado com uma porta... Uma porta... Do laboratório!!
Acho que não consegui dar nenhum meio sorriso, mas eu não tinha ficado tão feliz assim há anos. Girei a maçaneta, óbvio, estava tudo muito fácil, estava trancada. Dei um ou dois chutes na porta e ela nem se moveu, atrás zumbis vinham a uma velocidade enorme e minha única saída estava trancada. Eu podia atirar na maçaneta, mas eu estava sem bala. Antes que eu começasse a soluçar ou esperar minha morte a porta abriu num movimento brusco e um braço me puxou para dentro.


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